Struts finos, muito finos e ultrafinos com polímero permanente ou degradável: qual é a melhor combinação?

Os resultados de três anos do estudo BIO-RESORT, que proximamente serão publicados no JACC Intv. mostram que apesar das significativas diferenças entre os stents no que se refere à espessura dos struts e à capacidade de reabsorver o polímero, não parece haver por isso uma diferença significativa entre os dispositivos em relação à sua segurança ou eficácia.

O objetivo deste trabalho foi conhecer a segurança e eficácia em seguimento de três anos em uma população do mundo real incluída no estudo de três diferentes stents farmacológicos contemporâneos.

O BIO-RESORT (Comparison of Biodegradable Polymer and Durable Polymer Drug-Eluting Stents in an All Comers Population) randomizou 3.514 pacientes ao stent com struts ultrafinos de cromo-cobalto eluidor de sirolimus e polímero degradável (Orsiro) vs. o stent com struts muito finos de platina/cromo eluidor de everolimus (Synergy) vs. o stent com struts finos de cobalto-cromo eluidor de zotarolimus e com polímero permanente (Resolute Integrity).

O seguimento de um ano mostrou resultados similares entre os dois dispositivos com polímero degradável e o stent com polímero permanente. Após dois anos de seguimento o stent eluidor de sirolimus (Orsiro) começou a mostrar vantagem em termos de revascularização repetida.


Leia também: Devemos fazer revascularização completa no infarto agudo do miocárdio com múltiplos vasos?


Finalmente, em 3 anos, a segurança e eficácia entre os dispositivos foi similar.

No final do seguimento, a revascularização do vaso alvo ocorreu em 8,5% com Orsiro, em 10% com Resolute Integrity e 8,8% com Synergy, em todos os casos diferenças não significativas.

A taxa de morte cardíaca, infarto do vaso alvo e revascularização do vaso alvo (desfecho primário combinado de segurança e eficácia) foi similar entre os 3 stents. Os desfechos secundários incluíram os componentes individuais do primeiro e a taxa de trombose definitiva ou provável do stent (1,1% para everolimus, 1,1% para sirolimus e 0,9% para zotarolimus).

Conclusão

Apesar das diferenças significativas na espessura dos struts, a liga que os conforma, o polímero que os recobre e a droga que portam, não se observaram diferenças significativas em nenhum desfecho (combinado ou de forma individual) entre estes três stents contemporâneo em seguimento de três anos. Um seguimento mais prolongado talvez separe alguma curva, mas por enquanto não há nada novo sob o sol.

Título original: Thin, Very Thin, or Ultrathin Strut Biodegradable- or Durable-Polymer-Coated Drug-Eluting Stents. 3-Year Outcomes of BIO-RESORT.

Referência: Rosaly A. Buiten et al. J Am Coll Cardiol Intv 2019; Article in press.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

ACC 2026 | DKCRUSH VIII: IVUS ou angiografia para guiar a PCI em bifurcações coronarianas complexas

Guiar os procedimentos através de imagens intracoronarianas consolidou-se como uma estratégia recomendada em lesões coronarianas complexas. No cenário específico das bifurcações complexas, ainda persistia...

ACC 2026 | OPTIMAL: IVUS como guia na PCI do tronco da coronária esquerda não protegido

A angioplastia coronariana (PCI) é considerada uma alternativa equivalente à cirurgia de revascularização em pacientes com estenose do tronco da coronária esquerda (TCE) e...

ACC 2026 | Estudo IVUS-CHIP: angioplastia complexa guiada por ultrassom intravascular versus angiografia

A otimização da angioplastia coronariana (ATC) em lesões complexas continua sendo um desafio clínico relevante. Em tal contexto, o estudo IVUS-CHIP foi desenhado para...

ACC 2026 | Estudo PRO-TAVI: Diferir a angioplastia coronariana em pacientes submetidos a TAVI

A doença coronariana é frequente em pacientes com estenose aórtica severa candidatos a TAVI. As atuais diretrizes recomendam considerar a revascularização em lesões coronarianas...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Espaço do Fellow – Caso 1: Oclusão Total Crônica Tratada por Via Retrógrada. Um Verdadeiro Desafio!

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Apresentamos o primeiro caso desta nova edição do Rincón del Fellow, um espaço acadêmico e colaborativo...

Manejo da trombose valvar em TAVI: enfoque atual baseado em evidência

A expansão do implante transcateter da valva aórtica (TAVI) em populações mais jovens e de menor risco colocou em primeiro plano a trombose da...

Experiência com a válvula intra-anular autoexpansível Navitor: dados do registro STS/ACC TVT

A expansão do TAVI, com a introdução de dispositivos de nova geração, tem priorizado não só a segurança periprocedimento mas também a preservação do...