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O acesso radial continua sendo a melhor opção para a angioplastia primária

O acesso radial se associa a menor mortalidade e menos sangramento nos pacientes cursando um infarto com supradesnivelamento se segmento ST que são submetidos a angioplastia primária. 

El acceso radial continúa siendo la mejor opción para la angioplastia primaria

Isso tinha sido colocado em dúvida pelo recente estudo SAFARI-STEMI, mas após incluir seus resultados para realizar uma nova metanálise a balança se inclinou claramente a favor do acesso radial em comparação com o femoral. 

O acesso radial se associa a menor risco de mortalidade por qualquer causar, sangramento maior e complicações vasculares sem que sejam observadas diferenças em termos de infarto, AVC ou duração do procedimento. O único quesito que favorece o acesso femoral é o tempo de fluoroscopia.  

Os guias europeus dão ao acesso radial uma recomendação classe IA, superando o acesso femoral em operadores com experiência. Os guias estadunidenses ainda não deram a mesma recomendação para mudar o acesso (com operadores mais cautelosos que os europeus). No entanto, a evidência é contundente e mais cedo ou mais tarde as diretrizes americanas deverão mudar. 

Os trabalhos prévios que compararam os dois acessos não tiveram o suficiente poder estatístico para detectar diferenças em desfechos duros como a mortalidade (embora tenha sido possível chegar a conclusões a esse respeito em duas metanálises). 


Leia também: A Boston Scientific descontinua a válvula Lotus e faz uma nova aposta.


O estudo SAFARI-STEMI não pôde demonstrar diferenças em termos de mortalidade por qualquer causa ou sangramento maior em 30 dias entre os dois acessos. 

Era necessário atualizar uma metanálise com 16 estudos randomizados anteriores mais o recente SAFARI-STEMI para somar mais de 12.000 pacientes. 

A metade da população recebeu um inibidor da glicoproteína IIb IIIa durante o procedimento. 


Leia também: Cirurgia bariátrica por cateterismo?


Não foram observadas diferenças significativas em termos de infarto (RR 0,96; IC 95% 0,75-1,24), AVC (RR 1,37; IC 95% 0,82-2,29) ou duração do procedimento. A única diferença foi um tempo de fluoroscopia mais curto no acesso femoral. 

A diferença se centrou sobretudo nos sangramentos. Por cada 1000 acessos radiais foram “poupados” 16 sangramentos maiores. 

Também foi possível provar que quando o risco de sangramento é baixo, a diferença em mortalidade desaparece entre os dois acessos. O dado anterior indicaria que a vantagem do acesso radial em mortalidade vem de mãos dadas com a menor taxa de sangramentos. 


Leia também: Webinar SOLACI – Inovação: Terapia dual curta em pacientes com alto risco de sangramento.


A porcentagem de adoção entre os diferentes operadores ainda é muito heterogênea. Enquanto nos Estados Unidos se chega com sorte a 50%, na Europa a porcentagem de opção pelo acesso radial no contexto da angioplastia primária pode chegar a 90%. 

A sensação de perda de tempo em um acesso mais difícil para um procedimento no qual a velocidade de reperfusão marca o prognóstico faz com que ainda haja resistências. Esta ideia surgiu dos primeiros estudos observacionais, quando os operadores ainda eram inexperientes. 

Título original: Meta-analysis of transradial vs transfemoral access for percutaneous coronary intervention in patients with ST elevation myocardial infarction.

Referência: Jhand A et al. Am J Cardiol. 2020; Epub ahead of print. doi: 10.1016/j.amjcard.2020.11.016.


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