O fenômeno de no-reflow é uma das complicações mais frustrantes da angioplastia primária (pPCI) e expressa a persistência do dano microvascular que, a médio e longo prazo se associa com um maior tamanho de infarto, pior remodelamento ventricular e, portanto, um pior prognóstico. Em tal cenário, o tratamento farmacológico intracoronário é heterogêneo e muitas decisões se baseiam mais na experiência do operador do que na evidência científica.

Oliveri et al. realizaram uma metanálise em rede de estudos randomizados que compararam os fármacos intracoronários mais utilizados no tratamento do no-reflow durante a pPCI. O objetivo foi comparar a eficácia relativa da adenosina, epinefrina, nitroprussiato e verapamil administrados por via intracoronária.
O desfecho primário foi a restauração do fluxo TIMI 3 final. Os desfechos secundários incluíram a resolução do segmento ST, a presença de fluxo TIMI 2-3 e a ocorrência de MACCE.
Foram incluídos 13 estudos randomizados com aproximadamente 1.680 pacientes com IAMCEST submetidos a pPCI complicada por no-reflow ou no-reflow persistente.
Verapamil e epinefrina mostram maior eficácia angiográfica para reverter o fenômeno do no-reflow durante a angioplastia primária
O principal achado da análise foi que tanto a epinefrina quanto o verapamil se associaram com maiores possibilidades de alcance de fluxo TIMI 3 em comparação com o controle (habitualmente placebo). Para epinefrina, o OR foi de 2,81 (IC de 95%: 1,72–4,58) e para verapamil de 2,84 (IC de 95%: 1,63–4,95), sem heterogeneidade significativa. Em contraposição, nem a adenosina nem o nitroprussiato mostraram um benefício estatisticamente significativo.
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Ao avaliar o desfecho secundário de fluxo TIMI 2-3, somente a epinefrina e o verapamil mostraram um efeito favorável do fármaco, com OR de 3,33 (IC de 95%: 2,00–5,54) e 2,94 (IC de 95%: 1,70–5,07), respectivamente.
No tocante à resolução do segmento ST, observou-se que a epinefrina apresentou o efeito mais acentuado, com OR de 4,30 (IC de 95%: 2,19–8,45), seguida do verapamil, com OR de 2,85 (IC de 95%: 1,64–4,96). A adenosina alcançou certo efeito a favor conforme uma análise frequentista, com um OR de 1,38 (IC de 95%: 1,04–1,84).
Ao realizar um ranking segundo o NMA, o verapamil se situou como a estratégia com maior probabilidade de melhorar o retorno a fluxo TIMI 3 final.
Cabe esclarecer que os resultados aqui apresentados não se traduziram em um benefício clínico sustentado já que não foi possível demonstrar uma redução significativa de MACE nem de mortalidade com nenhuma das terapias avaliadas.
Conclusões: o tratamento intracoronário melhora o fluxo TIMI mas sem impacto em termos de MACE ou mortalidade
Esta metanálise de rede posicionou o verapamil e a epinefrina como as alternativas com melhor rendimento angiográfico (fluxo TIMI 3 final) para o tratamento intracoronário do fenômeno de no-reflow durante a pPCI.
Título original: Intracoronary Vasoactive Therapy for No-Reflow During Primary PCI. A Network Meta-Analysis of Randomized Trials.
Referência: Oliveri F, Tua L, Raone L, Sparasci FM, Ferlini M, Mandurino-Mirizzi A, De Luca L, Arslan F, Bingen BO, Montero-Cabezas JM. Intracoronary Vasoactive Therapy for No-Reflow During Primary PCI: A Network Meta-Analysis of Randomized Trials. JACC Adv. 2026 Feb 24;5(3):102599. doi: 10.1016/j.jacadv.2026.102599. Epub ahead of print. PMID: 41740240; PMCID: PMC12955103.
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