Esta apresentação, realizada pelo Dr. Salvatore Giordano no EuroPCR 2026, detalha os resultados do Registro MELA, um estudo multicêntrico que comparou o desempenho da série Myval (válvula balão-expansível) versus a Evolut R (válvula autoexpansível) em pacientes com anéis aórticos grandes.

O estudo se centrou em pacientes com estenose aórtica severa e anatomias complexas caracterizadas por anéis aórticos grandes (área ≥ 575 mm² ou perímetro ≥ 85 mm). Dito grupo representa um desafio clínico devido à limitada disponibilidade de tamanhos de prótese, o que pode incrementar o risco de complicações como a regurgitação paravalvar, a embolização valvar ou a mortalidade.
O objetivo principal foi comparar o rendimento valvar precoce (30 dias) e os resultados clínicos entre os dois dispositivos.
Tratou-se de um estudo retrospectivo e multicêntrico realizado em cinco centros entre janeiro de 2017 e dezembro de 2024. Foram incluídos 246 pacientes: 118 tratados com Myval e 128 com Evolut R. Para garantir a comparabilidade entre os grupos, foi realizada uma análise ponderada por escore de propensão (propensity score weighted analysis).
O desfecho primário foi um composto de insuficiência aórtica moderada ou severa, implante de marca-passo permanente e rendimento valvar insatisfatório de acordo com os critérios de VARC-3.
As taxas de sucesso técnico pós-procedimento foram comparáveis entre os grupos (96,6% para a Myval versus 97,6% para a Evolut R), bem como o sucesso do dispositivo em 30 dias.
A série Myval demonstrou tempos de fluoroscopia e de procedimento significativamente mais curtos, além de uma menor necessidade de pós-dilatação em comparação com a Evolut R.
No tocante à insuficiência aórtica, as válvulas Myval mostraram taxas significativamente menores de insuficiência aórtica moderada ou severa em 30 dias (3,9% versus 11,0%; p = 0,47).
Não foram registradas mortes relacionadas com o procedimento nem acidentes vasculares cerebrais no grupo tratado com Myval, em 30 dias. No mesmo sentido, as complicações vasculares maiores e os sangramentos maiores foram numericamente inferiores com Myval.
Por outro lado, a Evolut R apresentou um gradiente aórtico médio ligeiramente menor em 30 dias, embora dita diferença tenha sido considerada clinicamente pouco relevante.
Conclusões: a Myval poderia oferecer melhores resultados precoces em anatomias com anéis aórticos grandes
O Registro MELA conclui que tanto a Myval quanto a Evolut R são sistemas seguros e eficazes para o tratamento de pacientes com anéis aórticos grandes. No entanto, a série Myval mostrou resultados precoces favoráveis, com uma redução significativa da insuficiência aórtica moderada ou severa e uma maior eficiência operativa graças a menores tempos de procedimento e fluoroscopia.
Título Original: TAVI Outcomes in Patients with Large Aortic Annuli.
Subscreva-se a nossa newsletter semanal
Receba resumos com os últimos artigos científicos





