Escore de risco de trombose de stent em pacientes com síndrome coronariana aguda

Título original: Development and Validation of a Stent Thrombosis Risk Score in Patients With Acute Coronary Syndromes. Referência: George D. Dangas et al. J Am Coll Cardiol Intv 2012;5:1097–105.

O implante de stent em condições pró-trombóticas, como na síndrome coronariana aguda (SCA) está associado a uma maior incidência de trombose de stent (TS). Não existe na literatura um estudo que tenha avaliado esse risco individual durante a angioplastia. 

O presente estudo teve como objetivo desenvolver e validar um escore de risco de TS em pacientes com SCAcom base nos bancos de dados dos estudos HORIZONS-AMI e ACUITY. 

Resumidamente, o estudo HORIZONS-AMI incluiu pacientes com quadro de infarto agudo do miocárdio com supradesnivelamento do segmento ST (IAMCSST) que foram encaminhados para angioplastia primária, randomizados para receber heparina associada a um inibidor da glicoproteína (IGP) ou bivalirudinaantes do procedimento. Já o estudo ACUITY incluiu pacientes com quadro de síndrome coronariana aguda sem supradesnivelamento do segmento ST (SCASSST), randomizados para receber bivalirudina, bivalirudina associada a IGP ou heparina associada a IGP antes da coronariografia.

Foram incluídos na análise os pacientes que realizaram angioplastia com implante de stent nos dois estudos (2.986 do HORIZONS-AMI e 3.153 do ACUITY), sendo randomizados em dois grupos (2:1): um de derivação (n= 4.093) e outro de validação (n= 2.046) do escore. Foi considerado um seguimento de um ano para a análise primária. Para a análise secundária, foi incluído o seguimento de até 3 anos do HORIZONS-AMI.A maioria dos pacientes recebeu pelo menos um stent farmacológico (81,4%), porém o tipo de stent implantado não foi associado a TS. Foram utilizados os critérios de TS doAcademicResearch Consortium, sendo considerados apenas aqueles classificados como TS definida ou provável.Com base nisso, foi desenvolvido um modelode escore de risco como mostrado na Tabela abaixo.

A performance do modelo foi testada através do c-statistic (0,67 na coorte de derivação e 0,66 na coorte de validação). Através da observação dos dados, o escore foi dividido arbitrariamente em 3 categorias: baixo risco (1 a 6 – 1,65%), risco intermediário (7 a 9 – 2,77%) e alto risco (≥ 10 – 6,45%). Ao acrescentar o seguimento de até 3 anos dos pacientes do HORIZON-AMI, incluindo assim aqueles pacientes com TS muito tardia (>1 ano), o modelo manteve-se inalterado (c-statistic= 0,69).

Conclusão: 

O risco individual de TS em pacientes com SCA pode ser calculado através de um escore de risco simples.

Comentário editorial: 

O escore de predição de risco de TS é prático e pode ser incorporado à prática clínica diária desde que se observe algumas particularidades. Foi desenvolvido e validado em uma população específica, com SCA, que fez uso (ou não) de bivalirudina e que realizou uma angioplastia com stent farmacológico (maioria). Mesmo que o presente estudo não tenha mostrado associação entre o tipo de stent implantado e a TS, alguns estudos publicados anteriormente mostram uma maior incidência da TS muito tardia nos stents farmacológicos. Além da dificuldade em transpor os dados para a nossa realidade, pois em muitos países, como no Brasil, a bivalirudina ainda não está disponível, há uma necessidade de validar externamente o escore, já que mesmo na população estudada, seu poder de predição não foi tão alto (c-statistic= 0,66). Foram ainda testados dois outros modelos de predição de risco para a trombose precoce e para a trombose tardia, sem mudança significativa no seu poder de predição.

Dr. Lucas Lodi-Junqueira
Membro do conselho editorial SOLACI

Dr. Lucas Lodi-Junqueira

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