A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia intravascular (IVL) sejam ferramentas úteis, não existe uma estratégia única aplicável a todos os padrões de cálcio coronariano. Em tal contexto, a combinação de aterectomia seguida de IVL poderia ser útil em lesões nas quais uma estratégia “IVL-first” não é factível ou quando continuar com uma aterectomia de maior magnitude poderia incrementar significativamente o risco do procedimento.

O objetivo do registro Dual-Prep foi avaliar os resultados clínicos do seguimento de um ano do uso combinado de aterectomia e IVL em lesões coronarianas severamente calcificadas. Tratou-se de um registro prospectivo, multicêntrico e de um único ramo, realizado em 20 centros do Japão. Foram incluídos 118 pacientes com 120 lesões, nos quais se utilizou IVL depois da aterectomia quando a lesão persistia com uma preparação inadequada.
Os pacientes incluídos apresentavam uma idade média de 75,8 anos; 56,8% deles timham diabete, 25,4% se encontravam em hemodiálise e 41,7% apresentavam nódulos calcificados. A AR foi utilizada em 83,9% dos casos (burr size médio de 1,57 ± 0,20 mm) e a aterectomia orbital em 16,9%. Após a aterectomia, todas as lesões mantinham um escore de calcificação de 4,0. Foram implantados stents eluidores de fármacos (DES) em todos os casos, com utilização de OCT/OFDI em 90,8% e uma taxa de sucesso de procedimento de 97,5%.
O seguimento de um ano foi alcançado em 99,2% dos casos. A sobrevida livre de MACE foi de 92,3% (IC de 95%: 85,8-95,9%) e a taxa livre de revascularização da lesão tratada (TLR) foi de 94,8% (IC de 95%: 88,9-97,7%). A incidência de MACE foi de 7,6%, com uma mortalidade cardíaca de 2,5%, infarto do miocárdio de 5,1% e revascularização clinicamente indicada do vaso tratado de 5,1%. A trombose definitiva do stent foi infrequente, observando-se em apenas um paciente (0,8%).
Na análise de preditores, a estenose residual pós-implante do stent e o diâmetro do vaso de referência tratado se associaram a uma maior incidência de MACE. Por cada incremento de 5% na estenose residual, o risco de MACE aumentou 2,3 vezes. Seguindo a mesma tendência, por cada aumento de 1 mm no diâmetro do vaso de referência tratado observou-se um incremento de 2,3 vezes no risco. Por outro lado, a diabete, a hemodiálise, o tipo de aterectomia e a presença de nódulos não se associaram significativamente à ocorrência de eventos.
Conclusões: a combinação de aterectomia e IVL contribuem para alcançar uma alta taxa de sucesso e baixa incidência de eventos em um ano
Neste registro prospectivo, a estratégia combinada de aterectomia seguida de IVL mostrou uma elevada taxa de sucesso do procedimento e uma baixa incidência de MACE, TLR e tromobose do stent em um ano em lesões coronarianas severamente calcificadas. Esses dados observacionais respaldam seu uso seletivo em cenários nos quais uma estratégia inicial com IVL não é factível ou uma aterectomia mais agressiva poderia incrementar o risco do procedimento.
Título original: Dual-Prep registry: Atherectomy devices and intravascUlAr lithotripsy for the PREParation of heavily calcified coronary lesions registry, 1-year results.
Referência: Nakamura, M., Kuriyama, N., Tanaka, Y. et al. Dual-Prep registry: Atherectomy devices and intravascUlAr lithotripsy for the PREParation of heavily calcified coronary lesions registry, 1-year results. Cardiovasc Interv and Ther 41, 530–539 (2026). https://doi.org/10.1007/s12928-026-01264-4.





