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Revascularização híbrida, combinar virtudes em pacientes de alto risco

Título Original: One-Stop Hybrid Coronary Revascularization versus Coronary Artery Bypass Graft and Percutaneous Coronary Intervention for the Treatment of Multivessel Coronary Artery Disease: Three-Year Follow-up Results from A Single Institution. Referência: Liuzhong Shen et al. J Am Coll Cardiol Intv 2013. Article in press. Accepted Manuscript.

A ponte mamária à artéria descendente anterior (LIMA) com uma permeabilidade >90% em 10 anos contribui principalmente às vantagens da cirurgia (CRM) que por outro lado é um procedimento de risco relativo alto e no qual as pontes venosas para o resto dos vasos têm uma permeabilidade muito diferente (até 25% ocluídos ao ano). A angioplastia (ATC) em pacientes com múltiplos vasos é muito menos invasiva, mas a revascularização repetida continua sendo um problema. A estratégia híbrida combina a vantagem em permeabilidade do LIMA com a qualidade minimamente invasiva da ATC para as lesões do resto dos vasos. Ambos procedimentos podem ser realizados em forma consecutiva, no mesmo ato, por uma equipe multidisciplinar (Heart Team) em uma sala híbrida. Para esta estratégia foram avaliados os pacientes (ptes) de alto risco cirúrgico com lesões desfavoráveis para ATC na artéria descendente anterior (ex. Oclusão total, doença difusa, lesão de tronco de coronária esquerda) somado a lesões favoráveis no restante dos vasos.

Entre 2007 e 2010 foram incluídos 141 ptes consecutivos que receberam revascularização híbrida e foram comparados com aqueles que receberam CRM convencional e ATC em múltiplos vasos, emparelhando as características basais dos 3 grupos por meio de propensity score. O critério de avaliação primário foi um combinado de morte, infarto, stroke e revascularização (MACCE). No grupo híbrido todos os pacientes receberam LIMA à descendente anterior por mini toracotomia e angioplastia com stents farmacológicos no restante dos vasos, com uma média de stents implantados de 1.9 e um comprimento total de stents de 32.6 mm. No grupo angioplastia a média de stents implantados resultou de 2.7, com um comprimento total de 62.8 mm. Todos os ptes do grupo cirúrgico receberam LIMA à descendente anterior e uma média total de 3 pontes.

Em 3 anos de seguimento, a sobrevida atuarial no grupo híbrido, CRM e ATC foi de 99.3%, 97.2% e 96.5% respectivamente (p=0.34). O critério de avaliação combinado no grupo híbrido foi significativamente menor ao do grupo ATC (6.4% vs 22.7%, p<0.001) e similar ao do grupo CRM (6.4% vs 13.5%, p=0.14). Nos tercis de EuroSCORE baixo e médio o critério de avaliação combinado do grupo híbrido resultou similar ao dos grupos CRM e ATC, porém, no tercil de alto EuroSCORE o grupo híbrido foi superior que CRM (p=0.03) e ATC (p=0.006). A respeito do score de SYNTAX, para os tercis baixo e médio as três estratégias resultaram similares, no entanto, para o último tercil (score ≥30) a estratégia híbrida resultou melhor que a ATC (p=0.002) e similar a CRM (p=0.362).

Conclusão: 

A revascularização híbrida no mesmo procedimento tem uma evolução favorável para pacientes selecionados com lesão de múltiplos vasos, sendo que os mais beneficiados são aqueles que apresentam um risco cirúrgico elevado (alto EuroSCORE) ou uma anatomia muito desafiadora (elevado SYNTAX score). Estes achados iniciais precisam ser confirmados em trabalhos maiores.

Comentário: 

A diferença observada entre revascularização híbrida e angioplastia a múltiplos vasos, tanto global como no grupo de alto SYNTAX, esteve basicamente determinado, como era esperado, pela maior revascularização. Essa maior revascularização esteve concentrada na artéria descendente anterior e não foi diferente para o resto dos vasos. Se bem que trata-se de pacientes muito bem selecionados (uma equipe multidisciplinar deve tomar parte nas decisões) essa estratégia pode oferecer as vantagens da cirurgia e a angioplastia. Considerar como limitação o pequeno número de pacientes e o fato de ser uma comparação bastante indireta.

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