DES vs Bare em angioplastia primária em 5 anos. Dilui-se a vantagem inicial

Título original: Long-Term Outcome After Drug-Eluting VersusBare-Metal Stent Implantation in Patients WithST-Segment Elevation Myocardial Infarction. 5 Years Follow-Up From the Randomized DEDICATION (Drug Elution and DistalProtection in Acute Myocardial Infarction) Trial. Referência: Lene Holmvang et al. J Am CollCardiolIntv 2013, article in press.

 

A angioplastia primaria reduziu a mortalidade do ré-infarto comparado com os trombolíticos em pacientes (ptes) cursando um infarto com supra desnível do segmento ST. Duas recentes meta análises de estudos randomizados e controlados avaliaram a segurança e eficácia da 1° geração de stents farmacológicos (DES) vs stents convencionais (BARE) achando una esperada e significativa diferença em revascularização em favor dos DES e uma tendência não significativa a reduzir a mortalidade ao ano. 

O estudo DEDICATION (DrugElution and Distal Protection in AcuteMyocardialInfarction) randomizou 626 ptes cursando um infarto com supra desnível do segmento ST a DES vs BMS. Dos DES um 46% foram eluidores de sirolimus, um 41% eluidores de paclitaxel e 13% eluidores de zotarolimus. Nos BARE um 38% foram de liga de cobalto e 62% de aço inoxidável.  

Em 5 anos o critério de avaliação combinado de morte, infarto e revascularização (MACE) mostrou uma tendência a ser menor no grupo DES (16.9% vs 23%, p=0.07) majoritariamente devido a uma menor revascularização. Porém, ao considerar somente a morte cardíaca a diferença favoreceu o BARE (24 vs 10 eventos; p=0.02). 

Globalmente a trombose do stent em 5 anos foi baixa e similar em ambos grupos (5.4%) e nenhuma das mortes cardíacas precoces (antes do mês) pode ser adjudicada claramente a esta complicação. Logo do primeiro mês, 14 das 18 mortes cardíacas (78%) podem ser atribuídas à trombose do stent. 

 Conclusão:

O implante de um stent farmacológico no contexto de uma angioplastia primária está associado a uma maior mortalidade cardíaca em 5 anos e isto pode ser só parcialmente explicado por uma maior trombose do stent. Neste estudo, a mortalidade cardíaca com stent convencional foi consideravelmente menor a todos os reportes prévios. 

 Comentário editorial:

O risco de trombose das novas gerações de DES tem mostrado ser menor que nos dispositivos de primeira geração avaliada neste estudo. A contundente vantagem em termos de MACE em favor dos DES (basicamente devido a uma menor revascularização) durante o primeiro ano foi-se diluindo com o tempo, de fato em 5 anos a diferença já não atinge a significância estatística. Levar em conta que os eventos (especialmente morte cardíaca) registrada nos BARE estiveram bastante abaixo de tudo que foi publicado até agora, pelo que devemos esperar o seguimento a longo prazo de outros estudos. 

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