EuroPCR 2026 | Angioplastia de TCE em 10 anos: quando não há diferença em sobrevida, manda a estratégia menos invasiva?

A indicação de revascularização na doença do tronco da coronária esquerda (TCE) tem como objetivo principal melhorar a sobrevivência. No entanto, continua vigente o debate acerca de se em pacientes anatomicamente aptos para as duas estratégias a escolha entre angioplastia coronariana (PCI) com stents eluidores de fármaco ou cirurgia de revascularização miocárdica (CRM) se traduz em diferenças em termos de mortalidade quando o seguimento se estende para além dos primeiros anos. 

Esta análise reuniu dados individuais dos quatro estudos randomizados que compararam PCI com stents farmacológicos (DES) versus CRM em doença do TCE: SYNTAX, PRECOMBAT, NOBLE e EXCEL.

Foram incluídos 4.394 pacientes considerados adequados tanto para PCI quanto para cirurgia de by-pass coronariano (CABG). O desfecho primário avaliado foi a mortalidade por todas as causas em 10 anos, utilizando toda a informação disponível: seguimento de 10 anos para o SYNTAX, o PRECOMBAT e o NOBLE, e seguimento de 5 anos para o EXCEL.

A população analisada apresentou uma idade média de 66 anos, com 77% de homens, 25% de pacientes diabéticos e 12% com fração de ejeção inferior a 50%. O escore de SYNTAX médio foi de 25,0. 

No tocante à extensão da doença coronariana, 16% dos pacientes apresentaram doença isolada do TCE, 31% TCE mais um vaso, 32% TCE mais dois vasos e 21% TCE mais três vasos. 

Leia também: EuroPCR 2026 | TAVI e doença coronariana: a PCI guiada por FFR mostrou melhores resultados do que a estratégia angiográfica.

No ramo PCI foram implantados, em média, dois stents e o uso de IVUS foi de 71%. No ramo cirúrgico foram realizadas em média duas pontes coronarianas, com utilização de artéria mamária interna esquerda (LIMA) em 96% dos casos e revascularização exclusivamente arterial em 23%.  

Em 10 anos, a mortalidade por todas as causas foi similar entre as duas estratégias: 23,5% com PCI e 23,1% com CRM (HR: 1,04; IC de 95%: 0,90-1,19; p = 0,62).

A análise por períodos tampouco mostrou divergência temporal. Entre 0 e 5 anos, a mortalidade foi de 11,2% com PCI vs. 10,3% com CRM (HR: 1,09; IC de 95%: 0,91-1,31), ao passo que entre 5 e 10 anos foi de 13,8% vs. 14,3%, respectivamente (HR: 0,96; IC de 95%: 0,77-1,20).

Leia também: EuroPCR 2026 | Registro MELA: Myval mostrou menor regurgitação aórtica em pacientes com anéis aórticos grandes.

A análise bayesiana mostrou uma probabilidade de 61,9% de que a mortalidade fosse maior com PCI do que com CRM. Entretanto, também evidenciou uma probabilidade de 31,6% de que a diferença absoluta entre as duas estratégias fosse ≤ 1% em 10 anos, e apenas 5,0% de probabilidade de que a diferença alcançasse ou superasse 2,5%. 

Os resultados foram consistentes ao estratificar por complexidade anatômica. Em pacientes com escore de SYNTAX ≤ 22, a mortalidade foi de 19,7% com PCI e de 20,2% com CRM. No grupo com SYNTAX de 23-32, foi de 24,3%, ao passo que naqueles com SYNTAX ≥ 33 foi de 30,2% versus 29,2% (HR: 1,13; IC de 95%: 0,86-1,49).

Conclusões: PCI e cirurgia mostraram sobrevida similar a longo prazo em doença tronco da coronária esquerda

Em pacientes com doença do TCE considerados apropriados tanto para PCI quanto para CRM, particularmente com complexidade anatômica leve a moderada, não foram observadas diferenças significativas em termos de mortalidade por todas as causas a longo prazo. Os achados aqui apresentados respaldam que, quando ambas as estratégias são tecnicamente viáveis, a decisão terapêutica deve ser individualizada mediante um enfoque compartilhado entre o Heart Team e o paciente. 

Apresentado por Brian A. Bergmark Na sessão Major Late-Breaking Trials do EuroPCR 2026, realizado de 19 a 22 de maio de 2026 em Paris.


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Dr. Omar Tupayachi
Dr. Omar Tupayachi
Membro do Conselho Editorial do solaci.org

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