EuroPCR 2026 | É seguro suspender a aspirina a um mês em pacientes com infarto tratados com PCI? Análise do TARGET-FIRST

Este é um resumo da análise pós-hoc do estudo TARGET-FIRST, apresentado pelo Dr. Giuseppe Tarantini no EuroPCR 2026 sobre a interrupção precoce da aspirina após uma intervenção coronariana percutânea (PCI) em pacientes com infarto agudo do miocárdio (IAM). 

Os guias atuais recomendam habitualmente 12 meses de terapia antiplaquetária dual (DAPT) após um infarto. Este estudo avaliou se reduzir a DAPT a apenas 1 mês, seguido de monoterapia com um inibidor de P2Y12, é uma estratégia segura e eficaz, especialmente em pacientes com maior risco isquêmico. 

Foram analisados 2.246 pacientes com IAM submetidos a PCI com um stent de nova geração (Firehawk). Após um mês inicial de DAPT sem eventos, os pacientes (n = 1.942) foram randomizados a monoterapia com inibidor de P2Y12 (suspensão de aspirina) durante os 11 meses subsequentes versus DAPT padrão (continuação de aspirina + um inibidor de P2Y12) durante o mesmo período. 

O desfecho primário (DP) foi a taxa de MACCE, definido como morte por qualquer causa, infarto do miocárdio, trombose do stent, acidente vascular cerebral ou sangramento maior em 11 meses. 

Esta análise específica estratificou os pacientes segundo os critérios da ESC (Sociedade Europeia de Cardiologia): 

  • Risco isquêmico elevado (27% da amostra): incluiu fatores como doença multivaso, diabetes tratada com insulina, comprimento total do stent > 60 mm ou antecedentes de infarto prévio. 
  • Risco isquêmico baixo (73% da amostra).

Leia também: EuroPCR 2026 | O clopidogrel poderia substituir a aspirina como monoterapia após a angioplastia?

No tocante aos resultados, não foi observado um aumento de eventos isquêmicos (MACE) ao encurtar a DAPT, independentemente do fato de o paciente apresentar alto ou baixo risco isquêmico. Por outro lado, a monoterapia com inibidor de P2Y12 reduziu significativamente o sangramento clinicamente relevante nos dois grupos de risco. No estudo principal foi observada uma redução relativa de 54% do risco de sangramento. 

Além disso, não houve uma interação significativa entre o nível de risco isquêmico e o benefício do tratamento, o que sugere que a estratégia de DAPT curta mostrou um comportamento consistente em toda a população analisada. 

Conclusões: a suspensão precoce de aspirina poderia reduzir sangramentos sem aumentar eventos isquêmicos 

Em pacientes com infarto agudo do miocárdio que permanecem livres de eventos durante o primeiro mês após uma revascularização completa, reduzir a DAPT a um mês oferece uma vantagem clara em termos de sangramento, sem incrementar o risco de complicações isquêmicas, inclusive naqueles pacientes com um perfil de risco mais elevado. 

Título Original: Early Aspirin Cessation After PCI in AMI: TARGET-FIRST Analysis.

Referência: Presentado por el Dr. Giuseppe Tarantini en el Congreso EuroPCR 2026.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Dr. Andrés Rodríguez
Dr. Andrés Rodríguez
Membro do Conselho Editorial da solaci.org

Mais artigos deste autor

É necessário usar o IVUS de forma rotineira na angioplastia do tronco da coronária esquerda?

A angioplastia do tronco da coronária esquerda não protegido é um procedimento de grande complexidade devido ao amplo território miocárdico em risco e às...

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...

Heparina pré-hospitalar no SCACEST: uma estratégia segura que proporciona maior reperfusão precoce

A reperfusão precoce continua sendo o principal determinante prognóstico nos pacientes com infarto agudo do miocárdio com elevação do ST (SCACEST). Embora a angioplastia...

Rupturas de placa en artérias não culpadas: seguimento com imagens intravasculares

A ruptura de placa continua sendo um dos mecanismos fisiopatológicos mais importantes nas síndromes coronarianas agudas. No entanto, nem todas as rupturas se manifestam...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

É necessário usar o IVUS de forma rotineira na angioplastia do tronco da coronária esquerda?

A angioplastia do tronco da coronária esquerda não protegido é um procedimento de grande complexidade devido ao amplo território miocárdico em risco e às...

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...

Resultados hemodinâmicos do reparo borda a borda em insuficiência mitral degenerativa e funcional

O reparo mitral transcateter borda a borda (M-TEER) se consolidou como uma opção terapêutica para a valvopatia mitral. Entre as técnicas disponíveis, o M-TEER...