Denervação renal também para hipertensos resistentes moderados

Título original: Renal denervation in moderate treatment resistant hypertension. Referência: Christian Ott et al. J Am Coll Cardiol 2013. Article in press.

Os estudos Symplicity HTN 1 e HTN 2 demonstraram que a denervação renal é aparentemente segura em pacientes com hipertensão resistente severa (≥160 mmHg a pesar de ≥ 3 drogas incluindo um diurético). Este corte em mais de 160 mmHg foi muito específico para os estudos iniciais mas é obvio que a maioria dos hipertensos resistentes na realidade encontram-se abaixo destes números. Foi por isso que o presente estudo piloto incluiu 54 pacientes resistentes de acordo com o JNC 7 e às guias ESH/ESC mas com registros entre 140/90 e 160/100 mmHg.

Para a denervação utilizou-se o cateter de radiofrequência Symplicity™ renal denervation system (Medtronic Inc, MountainView, CA) com pelo menos 4 ablações por artéria de 120 seg de duração cada uma. A dor difusa visceral durante as aplicações controlou-se com ansiolíticos e narcóticos. Aos 6 meses logo da denervação observou-se uma redução significativa da tensão arterial (sistólica 151 ± 6 vs 138 ± 21mm Hg, p<0.001; diastólica 83 ± 11 vs 75 ± 11 mm Hg, p<0.001).

Tanto os registros diurnos como noturnos reduziram-se significativamente sem ser modificado o padrão dipper. Aos 6 meses também reduziu-se significativamente a frequência cardíaca (67 ± 11 vs 63 ± 10 latidos/minuto, p=0.006) e este efeito foi independente do observado na tensão arterial.

Conclusão:

A denervação renal pode reduzir em forma significativa a tensão arterial em pacientes com hipertensão arterial resistente moderada.

Comentário editorial:

A maior limitação deste estudo é a ausência de grupo controle e o pequeno tamanho da amostra, porém, é o estudo piloto que abre o caminho a trabalhos randomizados e controlados. A redução logo da denervação resultou menos pronunciada comparada aos relatórios prévios, isto era esperado dado que o maior determinante da magnitude da redução é o grau de hipertensão prévia ao procedimento. De todas maneiras está claro que além do número inicial qualquer intervenção que produza uma redução, embora modesta, associa-se a uma redução significativa da morbimortalidade cardiovascular.

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