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Embolização com coils de artérias segmentares como estratégia de proteção medular prévia à recuperação endovascular complexa de aorta toracoabdominal

A isquemia medular continua sendo uma das complicações mais devastadoras na recuperação de aneurismas toracoabdominais, com incidência de até 20-30% em reparações extensas. Nesse contexto, foram desenvolvidas múltiplas estratégias de proteção. Baseada no conceito de rede colateral espinhal, a embolização seletiva de artérias segmentares (MISACE) consiste na oclusão proximal com coils de artérias intercostais e lombares dentro do território que será coberto pela endoprótese, com o objetivo de induzir arteriogênese e pré-condicionar a circulação medular antes do F/BEVAR. 

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Este estudo retrospectivo realizado em um único centro avaliou a segurança e o impacto clínico da MISACE (n = 42; 2018-2023) com uma coorte histórica sem MISACE (n = 50; 2007-2018), totalizando 92 pacientes com aneurismas toracoabdominais (classificação de Crawford, predominantemente extent I-III)

O desfecho primário foi a incidência de isquemia medular intra-hospitalar posterior ao F/BEVAR, definida como a ocorrência de qualquer déficit neurológico medular (precoce ou tardio, antes ou depois das 24 horas). Os desfechos secundários incluíram mortalidade intra-hospitalar, AVC, duração da internação e preditores de isquemia medular. 

A idade média foi menor no grupo MISACE (70 ± 9 vs. 75,1 ± 5,8 anos; p = 0,003), com menor prevalência de dissecção aórtica (36% vs. 12%; p = 0,014), sem diferenças significativas em comorbidades nem na proporção de aneurismas extensos (extent I-III; 76% vs. 80%; p = 0,66). O procedimento MISACE foi tecnicamente bem-sucedido em 100% dos casos, realizado em uma única sessão em 95,2%, com uma mediana de 3 artérias embolizadas e sem complicações neurológicas associadas. 

Leia também: Trombectomia mecânica versus anticoagulação no TEP de risco intermediário: revisão sistemática e metanálise.

No tocante aos resultados, a incidência de isquemia medular foi significativamente menor no grupo MISACE (9,5% VS. 30%; P = 0,016), diferença que se manteve em aneurismas extent I-III (8,6% vs. 31,2%; p = 0,027). Não foram observadas diferenças em eventos precoces, mas sim uma redução significativa na isquemia medular tardia (4,8% vs. 20%; p = 0,031). As taxas de paraparesia/paraplegia, tanto transitórias quanto permanentes, foram menores no grupo MISACE, sem alcançar significância estatística. 

A mortalidade intra-hospitalar não diferiu entre grupos (7,1% vs. 12%; p = 0,50), bem como a incidência de AVC (0% vs. 10%; p = 0,06), ao passo que a estadia hospitalar foi significativamente menor no grupo MISACE (7 vs. 11 dias; p = 0,022). Durante o seguimento não foram registrados novos eventos de isquemia medular e a sobrevivência foi similar em 1 e 3 anos. 

Conclusão: embolização de artérias segmentares como estratégia segura e efetiva de proteção medular em aorta complexa

Em síntese, a estratégia MISACE é factível e segura, associando-se a uma menor incidência de isquemia medular (especialmente tardia), sem aumento de eventos adversos. Embora os resultados respaldem seu uso como parte de uma estratégia multimodal, são necessários estudos prospectivos randomizados para confirmar os achados aqui apresentados. 

Título Original: Minimally invasive segmental artery coil embolization for spinal cord ischemia prevention prior to fenestrated/branched endovascular aortic repair.


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