O implante de uma segunda válvula e a embolização são duas complicações que aumentam a mortalidade

Título original: Determinats and Outcomes of Acute transcatheter Valve-in Valve Therapy or Embolization. Referência: Raj R Makkar, et al. J Am Coll Cardiol 2013;62:418-30

 

O implante valvular aórtico percutâneo tem demonstrado ser factível, seguro e com bom resultado no seguimento.  Em poucos ptes é necessário o implante de duas válvulas devido a má posição ou embolia, a evolução destes ainda não foi estudada. No  estudo PARTNER (Placement of AoRTic TraNscathetER Valve Trial Edwards SAPIEN

Transcatheter Heart Valve) com 2554 pacientes (ptes) incluídos, em 63 (2.5%) foi necessário o implante de uma segunda válvula dentro da primeira (TV-in-TV) e em 26 (1%) houve embolização (TVE). A válvula utilizada em todos os casos foi a Edwards SAPIEN (Edwards Lifesciences, LLC, Irvine, California).

Do total de ptes que precisaram TV-in TV, em 56 foi por causa da insuficiência aórtica severa não só por má posição da válvula senão também em disfunção das valvas. Resultaram preditores independentes para uma segunda válvula o sexo masculino, cirurgia de revascularização miocárdica prévia, baixa fração de ejeção e insuficiência mitral moderada a severa.

Tanto em 30 dias como em 12 meses estes ptes apresentaram maior mortalidade, mortalidade cardíaca, marca-passos definitivo e ré-hospitalização. A TVE também foi mais frequente imediatamente após o implante em homens com baixo gradiente e anel aórtico maior. Quatorze foram resolvidos pela via percutânea e 12 por cirurgia. A conversão à cirurgia apresentou maior mortalidade (33.3% vs 14.3%)

Tanto em 30 dias como em 12 meses estes ptes com embolização da válvula apresentaram mortalidade significativamente maior, mortalidade cardíaca, AVC e um incremento nas complicações vasculares e sangramento. Em ambas complicações foi necessário o suporte hemodinâmico, maior quantidade de contraste e mais tempo de exposição à radiação.

Conclusão: 

A necessidade de implantar uma segunda válvula dentro da primeira ou a embolização do dispositivo são complicações serias do TVAR que frequentemente exigem múltiplas válvulas. Isto pode ser causado tanto por fatores anatómicos como técnicos e traz consigo um aumento na mortalidade, por isso o correto planejamento do procedimento é muito importante.

 Comentário:

É importante a correta planificação do procedimento, levando em conta as características anatómicas e a experiência dos operadores. Estas duas complicações se relacionam  com aumento de mortalidade e conversão a cirurgia, havendo também agressão renal pela substancia de contraste, maior exposição aos raios e mais hospitalização.

Gentileza do Dr Carlos Fava.
Cardiologista Intervencionista.
Fundação Favaloro. Buenos Aires. Argentina.

Dr. Carlos Fava para SOLACI.ORG

Mais artigos deste autor

É seguro usar fármacos cronotrópicos negativos de forma precoce após o TAVI?

O TAVI está associado a uma incidência relevante de distúrbios do sistema de condução e ao desenvolvimento de bloqueios atrioventriculares que podem requerer o...

TMVR transapical em pacientes de alto risco: resultados do seguimento de cinco anos do sistema Intrepid

A insuficiência mitral (IM) moderada a severa continua sendo uma patologia de alta prevalência e mal prognóstico, particularmente em pacientes idosos, com disfunção ventricular...

Impacto da pós-dilatação com balão na durabilidade a longo prazo das biopróteses após o TAVI

A pós-dilatação com balão (BPD) durante o implante percutâneo da válvula aórtica (TAVI) permite otimizar a expansão da prótese e reduzir a insuficiência aórtica...

TAVI em insuficiência aórtica nativa pura: são realmente superiores os dispositivos dedicados?

Esta metanálise sistemática avaliou a eficácia e a segurança do implante percutâneo da valva aórtica em pacientes com insuficiência aórtica nativa pura. O desenvolvimento...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Endoleaks após reparo endovascular de aneurisma aórtico complexo: sempre voltar a intervir ou monitorar com CTA?

O reparo endovascular de aneurismas toracoabdominais que requerem uma selagem acima das artérias renais, com preservação dos vasos viscerais mediante dispositivos fenestrados e/ou com...

É seguro usar fármacos cronotrópicos negativos de forma precoce após o TAVI?

O TAVI está associado a uma incidência relevante de distúrbios do sistema de condução e ao desenvolvimento de bloqueios atrioventriculares que podem requerer o...

Risco cardiovascular a longo prazo em pacientes com ANOCA: uma realidade clínica a considerar?

A angina crônica estável (ACE) continua sendo um dos motivos mais frequentes de encaminhamento a coronariografia diagnóstica (CCG). Em uma proporção significativa desses pacientes...