A estenose aórtica severa assintomática representa um desafio clínico cada vez mais frequente. Embora as diretrizes recomendem intervir quando aparecem sintomas ou deterioração da função ventricular, persiste a preocupação pelo risco de morte súbita, insuficiência cardíaca e dano miocárdico irreversível durante o período de observação.

O estudo EARLY TAVR demonstrou previamente a superioridade de uma estratégia de TAVI precoce versus a vigilância clínica, embora ainda tenham persistido interrogantes acerca do fato de esse benefício se manter de forma consistente nas distintas faixas etárias. A presente análise post hoc avaliou o impacto da idade nos resultados clínicos do TAVI precoce em pacientes com estenose aórtica severa assintoática.
Foram incluídos 901 pacientes randomizados em um relação 1:1 a TAVI precoce ou vigilância clínica. A população foi estratificada em quatro grupos etários: 65-69 anos (n=141), 70-74 anos (n = 263), 75-79 anos (n = 250) e ≥ 80 anos (n = 247). A idade média da população foi de 75,8 anos, 69,1 eram homens e o seguimento médio foi de 3,8 anos. Todos os procedimentos foram realizados por via transfemoral com válvulas balão-expansíveis SAPIEN 3 ou SAPIEN 3 Ultra.
O desfecho primário foi o composto de morte por qualquer causa, acidente vascular cerebral (AVC) ou hospitalização por insuficiência cardíaca. Também foram analisados os componentes individuais e a evolução clínica dos pacientes inicialmente designados a vigilância clínica.
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Não foi observada interação significativa entre a idade e o efeito do tratamento para o desfecho primário (p = 0,47), o que demonstra um benefício consitente do TAVI precoce em todas as faixas etárias. As taxas do evento primário por cada 100 habitantes-ano foram de 6,2 versus 22,5 (HR: 0,40; IC de 95%: 0,19-0,82) em pacientes de 65-69 anos; 13,7 versus 21,1 (HR: 0,55; IC de 95%: 0,35-0,86) entre os 70-74 anos; 15,9 versus 34,0 (HR: 0,39; IC de 95%: 0,25-0,60) entre os 75-79 anos; e 19,6 versus 48,3 (HR: 0,55; IC de 95%: 0,38-0,79) em pacientes de ≥ 80 anos. Tampouco se observou uma interação significativa para o composto de morte, AVC ou insuficiência cardíaca (p = 0,53).
A mortalidade não mostrou diferenças segundo a idade (p de interação = 0,81). No entano, o TAVI precoce se associou a uma redução significativa de AVC nos grupos de 65-69 anos (0 eventos versus 7 eventos; redução absoluta do risco de 13%; p = 0,81) e ≥ 80 anos (redução absoluta do risco de 12,3%; p = 0,029). Seguindo a mesma tendência, a diminuição das hospitalizções por insuficência cardíaca foi mais pronunciada nos pacientes do grupo ≥ 80 anos, com uma redução absoluta do risco de 9,1% em 2 anos e um número necessário a tratar de 11 pacientes.
Entre os pacientes designados a vigilância clínica, o tempo mediano até a substituição valvar foi similar em todos os grupos etários (13,0; 11,0; 9,6 e 11,7 meses, respectivamente; p = 0,73). Aproximadamente um terço dos pacientes de 65-69 anos requereu intervenção depois de apresentarem uma síndrome valvar aguda, proporção que mostrou tendência a aumentar com a idade (p = 0.06).
Conclusão: O TAVI precoce reduz eventos cardiovasculares em pacientes com estenose aórtica grave assintomática, independentemente da idade.
Em pacientes com estenose aórtica severa assintomática, o benefício do TAVI precoce foi consistente em todos os grupos etários a partir dos 65 anos. A redução do risco de AVC foi mais evidente nos pacientes mais jovens e nos mais idosos, ao passo que a diminuição das hospitalizações por insuficiência cardíaca foi especialmente acentuada nos pacientes de ≥ 80 anos. Tais achados respaldam uma estratégia de intervenção precoce independentemente da idade do paciente.
Título Original: Age and Procedural Timing for Asymptomatic Severe Aortic Stenosis: Analysis From the EARLY TAVR Trial.





