A durabilidade do TAVI com SAPIEN 3: dez anos de seguimento em pacientes com risco intermediário

A durabilidade das próteses biológicas transcateter utilizadas no TAVI continua sendo um dos principais interrogantes no que se refere à expansão dessa estratégia a pacientes com maior expectativa de vida. Embora os resultados clínicos de curto e médio prazo tenham sido altamente favoráveis, a disponibilidade de dados de seguimento de 10 anos continua sendo limitada, especialmente no que diz respeito às válvulas transcateter de gerações mais recentes. 

La durabilidad del TAVI con SAPIEN 3: diez años de seguimiento en pacientes con riesgo intermedio

O objetivo deste estudo foi comparar os resultados clínicos e ecocardiográficos de seguimento de 10 anos em pacientes com estenose aórtica severa sintomática e risco cirúrgico intermediário submetidos a TAVI com a válvula balão-expansível SAPIEN 3 ou por meio de substituição cirúrgica da valva aórtica. 

Foram analisados os pacientes incluídos no registro PARTNER 2 SAPIEN 3 Intermediate Risk e comparados com pacientes tratados cirurgicamente no estudo PARTNER 2A. Após realizar um emparelhamento por meio de propensity score, estabeleceram-se 783 pacientes em cada grupo, com uma idade média de 82 anos, 43% de mulheres e um escore STS médio de 5,5%. Os desfechos avaliados incluíram mortalidade por qualquer causa, reintervenção na valva aórtica e parâmetros ecocardiográficos. 

Em 10 anos, a mortalidade por qualquer causa foi similar entre as estratégias, alcando 83,4% no grupo TAVI e 82,3% no grupo cirúrgico (HR: 1,01; IC de 95%: 0,91-1,13; p = 0,82). O achado mais relevante em termos de durabilidade foi a muito baixa incidência de reintervenção valvar, com taxas acumuladas de 2,0% para TAVI e de 1,9% para cirurgia, sem diferenças significativas entre as duas estratégias (p = 0,47).

Leia também: Inflamação depois do TAVI: um objetivo terapêutico emergente?

A avaliação ecocardiográfica disponível do seguimento de 10 anos mostrou uma adequada preservação hemodinâmica da prótese. Os gradientes médios foram de 11,0 mmHg no grupo TAVI e de 12,6 mmHg no grupo cirúrgico, o que evidencia um desempenho funcional comparável entre as duas alternativas terapêuticas. 

Conclusões: dez anos de seguimento confirmam a durabilidade do TAVI com SAPIEN 3 

O seguimento de 10 anos do programa PARTNER demonstra que o TAVI com a válvula SAPIEN 3 mantém uma excelente estabilidade clínica e estrutural a longo prazo. A semelhança observada com a cirurgia em termos de mortalidade e necessidade de reintervenção valvar, juntamente com a preservação dos gradientes transprotéticos, traz envidência sólida sobre a durabilidade dos dispositivos transcateter em pacientes com estenose aórtica severa e risco cirúgico intermediário.

Título original: 10-Year Outcomes of SAPIEN 3 Transcatheter Aortic Valve Replacement or Surgery in Intermediate-Risk Patients.

Referência: Nazif, T, Simonato, M, Makkar, R. et al. 10-Year Outcomes of SAPIEN 3 Transcatheter Aortic Valve Replacement or Surgery in Intermediate-Risk Patients. JACC. 2026 Jun, 87 (23) 3296–3308. https://doi.org/10.1016/j.jacc.2026.03.170.


 

Dr. Omar Tupayachi
Dr. Omar Tupayachi
Membro do Conselho Editorial do solaci.org

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