Inflamação depois do TAVI: um objetivo terapêutico emergente?

Os distúrbios de condução e a necessidade de implante de marca-passo definitivo continuam sendo complicações frequentes após o TAVI, com uma incidência próxima de 15%. Embora tradicionalmente tenham sido atribuídos ao dano mecânico do sistema de condução, a natureza transitória de muitos bloqueios atrioventriculares sugere a participação de mecanismos reversíveis. Este editorial revisa o papel da inflamação pós-TAVI como possível mecanismo fisiopatológico e potencial alvo terapêutico. 

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A principal evidencia analisada provém do estudo GLUCO-TAVI, um ensaio piloto randomizado que incluiu pacientes com estenose aórtica severa sintomática submetidos a TAVI, designados em uma relação 1:1 a glucocorticoides perioperatórios ou tratamento convencional. O grupo intervenção recebeu metilprednisona intravenosa uma hora antes do procedimento, seguida de prednisona oral durante cinco dias. O desfecho primário foi a necessidade de marca-passo definitivo em 30 dias, ao passo que os desfechos secundários incluíram distúrbios de condução, duração do QRS, resposta inflamatória e segurança.

A incidência de implante de marca-passo foi de 8% no grupo tratado com glucocorticoides vs. 16% no grupo controle, sem alcançar significância estatística (p = 0,23). No entanto, o tratamento reduziu significativamente a resposta inflamatória, evidência por um menor incremento de proteína C reativa (p < 0,001) e se associou a uma  menor duração do QRS em um mês de seguimento. Não foram observadas diferenças em termos de sangramento, complicações vasculares nem mortalidade. 

Leia também: Programa SPYRAL: resultados do seguimento de 3 anos de pacientes tratados com denervação renal.

Os autores compararam os resultados com os achados do ensaio Co-STAR, que randomizou 120 pacientes a conchicina (0,5 mg a cada 12 horas a partir das 48 horas prévias até os 14 dias posteriores ao TAVI) ou placebo. O desfecho composto de fibrilação atrial de novo ou distúrbios de condução que requereram marca-passo se reduziu de 25% a 10%, com uma diferença absoluta de 15%. Do mesmo modo, a nessidade isolada de marca-passo foi numericamente menor no grupo tratado com colchicina (8,3% VS. 18,3%), embora sem alcançar significância estatística (p = 0,107).

Conclusão: a inflamação emerge como um possível alvo terapêutico após o TAVI

Em conjunto, ambos os estudos contribuem com evidência preliminar que respalda o papel da inflamação como mecanismo envolvido nos distúrbios de condução posteriores ao TAVI. Embora as estratégias anti-inflamatórias demonstrem atenuar a resposta inflamatória e reduzir numericamente a necessidade de implante de marca-passo, a evidência disponível continua sendo insuficiente para recomendar sua utilização sistemática na prática clínica. 

Título Original: Inflammation after TAVI: an emerging therapeutic target?

Referência: Thomas Pilgrim1, MD, MSc;Ottavia Cozzi1,2, MD.


 

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