Tomografia multicorte para plataformas bio absorvíveis. O fim dos estudos diagnósticos invasivos?

Título original: Multislice Computed Tomography Angiography for Non-invasive Assessment of the 18-Months Performance of a Novel Radiolucent Bioresorbable Vascular Scaffolding Device (ABSORB Trial). Referência: Koen Nieman et al. J Am Coll Cardiol, article in press.

Os stents metálicos revolucionaram a angioplastia coronária, sem embargo, eles têm a desvantagem de serem próteses permanentes o que dificulta as reintervenções e prolonga o risco de trombose. Este problema poderia ser resolvido com as novas plataformas bio absorvíveis que fornecem um suporte inicial e que se dissolvem com o tempo sendo reestabelecida a integridade do vaso nativo. A ausência de metal nestas novas plataformas permite realizar sem artefatos tanto angiografia como reserva fracionada de fluxo por tomografia multicorte.

Neste trabalho foram avaliados a médio prazo os resultados clínicos, angiográficos e funcionais dos pacientes incluídos no estudo ABSORB nos quais foi realizada tomografia multicorte. Todos os pacientes incluídos neste trabalho foram eletivos e a angioplastia foi realizada com técnica padrão e pré dilatação obrigatória. O critério de avaliação combinado em 18 meses foi morte, infarto e revascularização da lesão alvo motivada por isquemia.

Dos 101 pacientes incluídos no ABSORB, em 71 realizou-se tomografia de 64 cortes avaliando, entre outras coisas, a área de estenose definida como a diferença entre a área luminal mínima e a referência do vaso considerando-se como significativo um valor >75%.

Também se realizou uma análise da reserva fracionada de fluxo por tomografia (TAC FFR) utilizando HeartFlow, Inc (Redwood City, CA) que com base em dados clínicos e tomográficos pôde simular o fluxo coronário e a pressão média durante a hiperemia, tomando como corte o valor de 0.8. Em 18 meses observaram-se 3 infartos não Q (todos relacionados a procedimentos), 5 revascularizações guiadas por isquemia e nenhuma morte.

A área de estenose em média resultou de 22.7% ± 22.4% na análise quantitativa das tomografias e o TAC FFR resultou de 0.89 ± 0.06. Não foi observada uma correlação significativa entre a área de estenose, a área luminal mínima e o TAC FFR o que sugere uma sub estimação sistemática deste último.

Conclusão: 

Os eventos combinados em 18 meses do implante da segunda geração da plataforma Absorb resultaram aceitáveis (7.9%) da mesma forma que a permeabilidade angiográfica por tomografia multicorte.

Comentário editorial: 

Este trabalho que hoje parece estar longe da prática clínica, é uma janela ao futuro. Sem dúvida, tanto os dispositivos como as técnicas tomográficas devem ser perfeiçoadas mas não falta muito para que podamos seguir o resultado de nossas angioplastias (tanto anatómica como funcionalmente) de maneira não invasiva em um só estudo.

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