O acesso radial é uma alternativa viável no infarto complicado com choque cardiogênico

Título original: Arterial access site utilization in cardiogenic shock in the United Kingdom: Is radial access feasible? Referência: Mamas A. Mamas, et al. Am Heart J 2014;167:900-08

O choque cardiogênico no contexto de um infarto agudo de miocárdio associa-se a uma alta mortalidade, apresentando aproximadamente um 10% de complicações hemorrágicas maiores. O acesso radial demonstrou reduzir a mortalidade fundamentalmente por diminuição do sangramento, sem embargo, no contexto de uma angioplastia primária em choque cardiogênico foi avaliado só em pequenos estudos. 

Este trabalho analisou 7231 pacientes que ingressaram cursando um infarto agudo de miocárdio complicado com choque cardiogênico e receberam angioplastia primária no Reino Unido, 1877 (35%) delas foram realizadas por acesso radial e 5354 (65%) por aceso femoral.

As características da população foram similares, embora os que receberam acesso femoral foram mais frequentemente mulheres, diabéticos, com maior requerimento inotrópico ou de balão de contra pulsação intra aórtico e assistência respiratória mecânica.

A mortalidade global em 30 dias de toda a coorte foi de 36.3%, sendo de 24,7% para o acesso radial vs 39.8% para o acesso femoral (p<0.01).  Esta diferença também se manteve em 12 meses.

Para suprimir possíveis fatores confundidores foi realizado um emparelhamento da população com propensity score ficando 1402 pacientes em cada grupo para a análise final, sendo observada uma significativa menor mortalidade no acesso radial em 30 dias (22.8% vs 29.9% p<0.001).

Com relação ao sangramento maior , este foi menor com a utilização do acesso radial (1.5% vs 3.5%;  p<0.0001). A utilização do acesso radial foi um preditor independente de menor taxa de eventos em 30 dias e este benefício foi observado quando o centro realizava mais de 50% dos procedimentos por acesso radial.

Conclusão

Embora a maioria das angioplastias primárias em pacientes em choque cardiogênico do Reino Unido são realizadas por acesso femoral, a via radial é uma alternativa possível neste grupo de alto risco em centros com experiência.

Comentário editorial

O acesso radial demonstrou ser seguro e eficaz em outros cenários mas não tinha sido avaliado corretamente neste grupo de pacientes. Este estudo nos ostra que o acesso radial é seguro e pode diminuir o sangramento maior e a mortalidade também no difícil cenário do infarto em choque cardiogênico, mas por outro lado exige um alto treinamento dos operadores.

Gentileza do Dr Carlos Fava
Cardiologista Intervencionista
Fundação Favaloro – Buenos Aires

Dr. Carlos Fava para SOLACI.ORG

Mais artigos deste autor

DAPT ≤ 30 dias após angioplastia coronariana com balão eluidor de fármaco

A angioplastia coronariana com balão eluidor de fármaco (DCB) sem implante de stent se consolidou como uma alternativa válida em diversos cenários clínicos, particularmente...

É necessário usar o IVUS de forma rotineira na angioplastia do tronco da coronária esquerda?

A angioplastia do tronco da coronária esquerda não protegido é um procedimento de grande complexidade devido ao amplo território miocárdico em risco e às...

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...

Heparina pré-hospitalar no SCACEST: uma estratégia segura que proporciona maior reperfusão precoce

A reperfusão precoce continua sendo o principal determinante prognóstico nos pacientes com infarto agudo do miocárdio com elevação do ST (SCACEST). Embora a angioplastia...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Redo-TAVI: resultados em seguimento de 30 dias com a utilização de SAPIEN 3

As 4 indicações para o implante transcateter da valva aórtica (TAVI) se ampliaram rapidamente para incluir pacientes de risco intermediário e baixo, estendendo seu...

DAPT ≤ 30 dias após angioplastia coronariana com balão eluidor de fármaco

A angioplastia coronariana com balão eluidor de fármaco (DCB) sem implante de stent se consolidou como uma alternativa válida em diversos cenários clínicos, particularmente...

Progressão da doença coronariana após o TAVI: análise por meio de QCA e QFR

A coexistência de doença coronariana e estenose aórtica severa é frequente nos pacientes submetidos a implante transcateter valvar aórtico (TAVI). No entanto, ainda é...