Intraaortic Balloon Support for Myocardial Infarction with Cardiogenic Shock

Título original: Intraaortic Balloon Support for Myocardial Infarction with Cardiogenic Shock (for the IABP-Shock II Trial Investigator) Referência: Holger T, et al. NEJM 367;14:1287

 

A taxa de mortalidade no choque cardiogênico secundário para infarto agudo do miocárdio (IAM) é elevada mesmo nos pacientes que recebem revascularização precoce. 

A utilização de balão intra-aórtico (IABP) nas diretrizes dos Estados Unidos e da Europa o situa como classe IB e IC respectivamente. O objetivo do presente estudo foi avaliar se a utilização do IABP em contraste com a melhor terapia disponível produzia uma redução da mortalidade em pacientes com infarto agudo do miocárdio em choque cardiogênico.

Este estudo randomizou 300 pacientes no grupo IABP e 298 no grupo de controle entre junho de 2009 e março de 2012 em 37 centros da Alemanha. Foram incluídos pacientes com IAM (com ou sem supradesnível do segmento ST) complicados com choque cardiogênico e que tinham planejada uma revascularização precoce (ATC ou cirurgia de revascularização do miocárdio). 

Foi considerado o choque cardiogênico a uma pressão sistólica 90 mmHg, símbolos clínicos de congestão pulmonar e símbolos de má perfusão periférica.

Os pacientes qualificáveis foram randomizados 1:1 a IABP em contraste com o grupo de controle. O procedimento de revascularização foi ATC, ATC em dois tempos e cirurgia de revascularização miocárdica e foi deixado a critério do operador.

O desfecho primário foi a mortalidade por qualquer causa em 30 dias. Não houve diferença nas características clínicas de ambos os grupos. O IABP foi implantado antes ou imediatamente depois da ATC.

No grupo de controle em 10% dos pacientes o IABP foi colocado dentro das primeiras 24 horas após a randomização e em 13 pacientes randomizados para o grupo de IABP este não foi colocado por motivo de falecimento.

O procedimento de revascularização mais frequente foi a ATC (95.8%). Não houve diferença significativa após 30 dias no desfecho primário de 39.7% em contraste com 43.3% p=0.69).

Conclusão: 

O uso de IABP não reduziu de maneira significativa a mortalidade dos pacientes que apresentaram IAM complicado por choque cardiogênico com estratégia de revascularização precoce após 30 dias.

Comentário editorial: 

O choque cardiogênico como complicação do IAM é um evento grave de alta mortalidade, sendo por sua vez, de muito difícil manejo, exigindo decisões rápidas. Embora nesse estudo randomizado, com um número significativo de pacientes, a utilização de IABP não tenha apresentado resultados favoráveis; convém destacar que 10% dos pacientes do grupo de controle receberam IABP dentro das 24 h da sua internação, com o qual o tratamento médico não foi suficiente para estabilizá-los. O IABP foi implantado antes ou depois da ATC, talvez o implante precoce do mesmo tivesse ajudado a atenuar as complicações. Para tratar essa complicação e diminuir a sua mortalidade é necessário dispor de novas tecnologias.

Cortesia da Dr. Carlos Fava
Cardiologista intervencionista
Hospital Universitario Favaloro 

Dr. Carlos Fava para SOLACI.ORG

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