A aterectomia em lesões infrapatelares com bons resultados a um ano

Título original: One-Year Outcomes Following Direccional Atherectomy of Infrapopliteal Lesions: Subgroup Results of the Prospective, Multicenter DEFINITIVE LE Trial. Referência: Aljoscha Rastan, et al Journal Endovascular Therapy 2015;22:839-846

Gentileza do Dr. Carlos Fava

A doença vascular periférica infrapetalar (BTK por sua sigla em inglês) continua em aumento, especialmente nos pacientes que apresentam diabetes e insuficiência renal, constituindo-se, em geral, em lesões difusas e muito calcificadas. A remoção do material aterosclerótico poderia ser uma muito boa estratégia.

Este trabalho incluiu 145 pacientes nos quais se realizou angioplastia BTK com aterectomia direcional com os dispositivos SilverHawk/TurboHawk.
A metade da população apresentava isquemia crítica com uma taxa de diabetes de 68%. A média de comprimento das lesões foi de 6 cm e 15% apresentou lesões ≥10 cm.

Na maioria dos pacientes se utilizou o dispositivo SiverHawk, tendo sido necessário realizar pré-dilatação em 10% dos casos e com sucesso do dispositivo de 70% do total (lesão residual ≤ 30%). Não se utilizou stent nem balão eluidor de medicamento. O procedimento obteve sucesso em 84% das lesões, sem diferença entre os que apresentavam claudicação intermitente e os que apresentavam isquemia crítica.

A um ano a perviedade primária foi de 84% e a secundária de 92%. A liberdade de revascularização do vaso dirigida pela clínica foi de 91%.

A recuperação do membro foi de 94% nos que apresentavam isquemia crítica e de 100% nos que apresentavam claudicação intermitente. A idade e a insuficiência renal foram preditores de reestenose.

A um ano observou-se melhora na classe Rutehrford, no índice tornozelo/braço, na qualidade de vida e na distância ao caminhar.

Conclusão
Este estudo demonstra que a aterectomia em lesões infrapatelares é uma promessa técnica e clínica para pacientes com isquemia crítica ou claudicação intermitente.

Comentário editorial
A angioplastia infrapatelar é um desafio devido à complexidade das lesões.
Este estudo moderno prospectivo nos demonstra que a aterectomia seria uma boa estratégia a seguir já que seus resultados a 12 meses são favoráveis.

Gentileza do Dr. Carlos Fava
Cardiologista Intervencionista
Fundación Favaloro – Buenos Aires

Mais artigos deste autor

ACVC 2026 | Registro FLASH coorte europeia: trombectomia mecânica em TEP

O manejo do tromboembolismo pulmonar (TEP) de risco intermediário-alto e alto continua sendo uma área de incerteza terapêutica, especialmente em pacientes com disfunção do...

Guia AHA/ACC 2026 sobre o manejo do TEP

O guia ACC/AHA 2026 para o manejo do tromboembolismo pulmonar (TEP) agudo introduz uma mudança conceitual ao substituir a classificação tradicional “de acordo com...

Avaliação com FFR para a seleção de pacientes hipertensos que se beneficiam do stenting renal

A estenose aterosclerótica da artéria renal (EAAR) representa uma das principais causas de hipertensão (HTA) secundária e se associa com um maior risco de...

Arterialização transcateter de veias profundas na isquemia crítica sem opções de revascularização: evidência de uma revisão sistemática e metanálise

A isquemia crônica crítica de membros inferiores em pacientes sem opções convencionais de revascularização representa um dos cenários mais complexos no contexto da doença...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

ACC 2026: Resultados do estudo SURViV – apresentação e análise exclusiva com o Dr. Dimytri Siqueira

Após a apresentação do estudo SURViV nas sessões Late Breaking Clinical Trials do Congresso do American College of Cardiology, o Dr. Dimytri Siqueira (Brasil),...

ACVC 2026 | CELEBRATE: utilização de zalunfiban pré-hospitalar em SCACEST

A otimização do tratamento antitrombótico na fase pré-hospitalar da síndrome coronariana aguda com elevação do ST (SCACEST) continua sendo um desafio devido à demora...

ACVC 2026 | Objetivos de PAM em choque cardiogênico pós-OHCA (subestudo BOX)

O manejo hemodinâmico do choque cardiogênico posterior a parada cardíaca de origem isquêmica (OHCA-AMICS) continua sendo uma área a ser resolvida, particularmente no que...