Balões farmacológicos: Superiores em território infrapatelar?

Título original: Drug-Coated Balloons for Revascularization of Infrapopliteal ArteriesA Meta-Analysis of Randomized Trials.
Referência: Salvatore Cassese et al. J Am Coll Cardiol Intv. 2016. Online before print.

 

O objetivo deste trabalho foi realizar uma metanálise dos estudos randomizados mais importantes publicados até o momento que analisaram os resultados do uso de balões farmacológicos em lesões infrapatelares. O uso de ditos dispositivos em território infrapatelar é controvertido e sua eficácia ainda não está clara.

 
Os desfechos primários de segurança e eficácia foram a necessidade de nova revascularização e a amputação, respectivamente. Os desfechos secundários foram morte, eventos adversos maiores, classe Rutherford 5 ou 6 e perda tardia de lúmen.

 
Foram incluídos um total de 641 pacientes admitidos em 5 trabalhos que randomizaram a balões farmacológicos (n = 378) ou controle (balões convencionais ou stents farmacológicos; n = 263). O tempo médio de seguimento foi de 12 meses.

 
Os pacientes tratados com balões farmacológicos tiverem um risco de nova revascularização (RR 0,71; IC 95% 0,47 a 1,09; p = 0,12), amputação (RR 1,01; IC 95% 0,65 a 1,58; p = 0,95), morte (RR 1,14; IC 95% 0,71 a 1,82; p = 0,59), eventos adversos maiores (RR 0,92; IC 95% 0,59 a 1,43; p = 0,70) e classe Rutherford 5 ou 6 (RR 0,87; IC 95% 0,46 a 1,62; p = 0,65) comparáveis aos do grupo controle.

 
A vantagem dos balões farmacológicos só foi evidente na perda tardia de lúmen comparando-se com o grupo controle (p = 0,04).

 

Conclusão
Os balões farmacológicos estiveram associados a resultados clínicos similares em um ano comparando-se com os balões convencionais ou os stents farmacológicos para tratar lesões em território infrapatelar.

 

Comentário editorial
O limitado número de pacientes e principalmente a falta de um manejo padronizado das úlceras na maioria dos trabalhos torna difícil chegar a uma conclusão definitiva.

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