O deterioro das válvulas percutâneas é raro e não deveria impedir o avanço em populações mais jovens

A durabilidade – ou melhor ainda, a falta de deterioro – continua sendo um ponto de discussão no implante percutâneo da valva aórtica (TAVI), especialmente agora que está sendo explorado como uma opção real para pacientes mais jovens.

El deterioro de las válvulas por catéter es raro y no debería impedir el avance a poblaciones más jóvenes

Uma recente metanálise publicada oferece algo mais de evidência e sugere que o deterioro do TAVI provavelmente seja infrequente nos primeiros 5 anos.

 

De acordo com o mencionado trabalho, a incidência estimada de disfunção da válvula seria de aproximadamente 28 casos por cada 10.000 pacientes/ano. Tal número parece tranquilizador, mas é necessário considerar a experiência com as válvulas biológicas cirúrgicas, onde a taxa de deterioro se incrementa significativamente aos 10 anos (inclusive mais aos 15). Provavelmente sejam necessários mais dados de longo prazo para recomendar o TAVI a pacientes mais jovens.

 

Esta é a primeira grande revisão sistemática sobre o tema. No entanto, encontramo-nos diante de um grande problema: por um lado, os pacientes com maior seguimento têm dispositivos de primeira geração (não contavam com tratamento anticalcificação); por outro, foi muito difícil conseguir um seguimento de longo prazo dado que os primeiros pacientes eram realmente idosos, de alto risco ou inoperáveis.

 

Para esta revisão foram incluídos dados de 13 estudos observacionais com um total de 8.914 pacientes que contaram com um seguimento médio de entre 1,6 e 5 anos.


Leia Também: “Dupla antiagregação em TAVI: simples é melhor?”


Com uma incidência média de 28,08 casos por cada 10.000 pacientes/ano o intervalo entre os estudos incluídos oscila entre uma incidência tão baixa como 0 e uma tão alta como 134 casos por cada 10.000 pacientes/ano.

 

Em 5 estudos foi relatada a causa da disfunção, sendo a reestenose a mais frequente com 58%, seguida da insuficiência, com 39%, e uma combinação de ambas com 3%.

 

Somente 3 pacientes receberam outra válvula percutânea para tratar a disfunção da primeira, enquanto os outros pacientes receberam apenas tratamento médico por serem demasiadamente idosos, frágeis ou por terem falecido antes da nova intervenção.


Leia também: Como classificar a estenose aórtica dos pacientes que receberam TAVI?


Contrariamente às expectativas, e após ajustar todas as variáveis de confusão, observou-se que as válvulas autoexpansíveis mostraram 6,4 casos mais de disfunção por cada 10.000 pacientes/ano que aqueles que receberam a válvula balão expansível (p = 0,036).

 

Essas expectativas tinham sido geradas pela especulação de que a válvula balão expansível se deteriora mais precocemente devido a um suposto dano mecânico das valvas ocasionado pelo impacto da válvula.

 

No entanto, o anteriormente dito (com relação a diferenças no deterioro entre a válvula balão expansível e as autoexpansíveis) tem pouca credibilidade por ser um dado inconsistente através dos estudos.

 

O uso de anticoagulação na alta pareceu beneficiar a vida útil das válvulas, mas esta associação desapareceu ao ajustar por outros fatores de confusão.

 

Título original: Structural valve deterioration after transcatéter aortic valve implantation.

Referência: Heart. 2017 Jul 6. [Epub ahead of print].


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