Dupla antiagregação: menos é mais em pacientes idosos

Uma recente metanálise que será publicada proximamente no JACC Intv. oferece evidências sobre o benefício de um tempo curto de dupla antiagregação plaquetária em pacientes idosos. Ditos pacientes sempre foram excluídos dos grandes trabalhos e continuavam sendo um dos grupos mais desafiantes no que se refere a balancear o risco de sangramento e o risco isquêmico.

Doble antiagregación: menos es más en añosos.A principal mensagem deste trabalho é que um período curto de dupla antiagregação pode ser considerado em pacientes idosos que recebem angioplastia com stents farmacológicos de nova geração, reduzindo o risco de sangramento e sem aumentar os eventos isquêmicos.

 

Temos discutido o tempo de dupla antiagregação plaquetária desde os começos de nossa especialidade (e provavelmente continuemos debatendo sobre este tema indefinidamente), mas esta discussão se intensificou recentemente desde as publicações do DAPT e do PEGASUS-TIMI 54. Entretanto, os pacientes idosos têm sido tipicamente sub-representados em estudos randomizados e as respostas para este grupo etário são escassas.


Leia também: Qual é a melhor antiagregação na angioplastia primária em 12 meses?


A metanálise incluiu 6 trabalhos (RESET, EXCELLENT, PRODIGY, OPTIMIZE, SECURITY e o ITALIC) com um total de 11.473 pacientes designados a um período curto de dupla antiagregação (de 3 a 6 meses) ou um período prolongado (de 12 a 24 meses). 53,6% da população esteve constituída por pacientes com menos de 65 anos, mas os restantes pacientes foram considerados idosos. Quase 90% recebeu stents farmacológicos de nova geração.

 

Globalmente não foram observadas diferenças no desfecho primário combinado (infarto, trombose definitiva/provável ou AVC em 12 meses) entre os que foram designados a receber um tempo curto e os que foram designados a um esquema prolongado, mas se observou uma interação significativa entre a idade e a duração do esquema.

 

Nos pacientes jovens a taxa de desfecho primário foi mais alta com o esquema curto (HR 1,67), o que foi basicamente conduzido pelos infartos. Ao contrário, nos pacientes idosos, não foram observadas diferenças no desfecho primário combinado entre os que receberam um esquema curto e os que receberam um esquema prolongado, inclusive após a realização de múltiplos ajustes.


Leia também: Angioplastias complexas: fator determinante para definir o tempo de antiagregação?


Em termos de segurança, o esquema curto se associou a uma redução do risco de sangramento. Esta relação não foi evidente nos pacientes jovens, mas foi muito clara nos pacientes idosos (HR 0,46).

 

Esta última afirmação foi constatada especialmente no estudo DAPT, onde para maior idade se observou maior benefício de um esquema curto de dupla antiagregação.

 

Título original: Short-term versus long-term dual antiplatelet therapy after drug-eluting stent implantation in elderly patients: a meta-analysis of individual participant data from six randomized trials.

Referência: Lee S-Y et al. J Am Coll Cardiol Intv. 2018; Epub ahead of print.


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