TAVI em CRM prévia: um dos novos desafios

O benefício do TAVI em pacientes de alto risco, risco proibitivo (Classe I) ou risco intermediário (Classe IIa) já está demonstrado, mas há uma crescente população de pacientes que apresentam CRM prévia e desenvolvem uma estenose aórtica severa. A decisão não é simples devido à presença das pontes coronarianas e ao fato de se tratar de uma reoperação. Mas especialmente a ponte mamária e a descendente anterior se encontram muito perto do esterno, o que acarreta uma maior morbidade e mortalidade.

La cirugía parece superior a la angioplastia en pacientes jóvenesNão se dispõe na atualidade de muita informação e não sabemos qual é a melhor conduta para este grupo.

 

Analisaram-se 15.055 pacientes entre 2012 e 2014 que apresentavam CRM prévia e estenose aórtica severa. Dentre eles, 8.885 (59%) receberam TAVI e 6.170 (41%) receberam cirurgia de substituição valvar aórtica. A balança foi se inclinando mais para o lado do TAVI com o passar do tempo.

 

Em comparação com os que foram submetidos a cirurgia, os pacientes do grupo TAVI foram mais velhos (80,7 vs. 73,6 anos; p < 0,001) e com maior porcentagem de mulheres (25,8% vs. 18,6%; p < 0,0001). Por sua vez, este último grupo exibiu maiores índices de hipertensão, ATC, insuficiência cardíaca, doença vascular periférica, marca-passo definitivo, implante de cardiodesfibriladores, insuficiência renal crônica, anemia, DPOC, hipotireoidismo, câncer e doença hepática. Entretanto, nos pacientes submetidos a cirurgia de substituição valvar aórtica houve mais tabagistas, fibrilação atrial, obesidade e coagulopatias.


Leia também: As bicúspides não aumentam a mortalidade no TAVI.


Foi feito um Propensity Matching, ficando 3.880 pares iguais.

 

Após a homogeneização da amostra na evolução hospitalar, embora a mortalidade tenha sido similar (2,3% TAVI e 2,4% cirurgia), no TAVI houve menor incidência de IAM (1,5% vs. 3,4%; p < 0,001), AVC 1,4% vs. 2,7%; p < 0,001), sangramento (10,6% vs. 24,6%; p < 0,001) e injuria renal aguda (16,2% vs. 19,3%; p < 0,001). A necessidade de marca-passo definitivo foi maior no TAVI e não houve diferenças no que se refere à necessidade de diálise ou complicações vasculares.


Leia também: Significativa associação suprarrenal da endoprótese e deterioro da função renal.


A estadia hospitalar foi maior no grupo cirurgia.

 

Conclusão 

O TAVI está sendo cada vez mais utilizado como a modalidade preferida na substituição valvar aórtica com CRM prévia. Em comparação com a cirurgia de substituição valvar aórtica, o TAVI está associado com uma mortalidade similar mas com taxas menores de complicações neste significativo grupo de pacientes.

 

Comentário

A presença de estenose aórtica severa que requer intervenção está presente em aproximadamente 10% dos pacientes que apresentam CRM prévia, o que nos coloca frente a um grande desafio no momento de decidir a estratégia.

 

Embora esta análise careça de seguimento e apesar de não haver diferenças quanto à mortalidade hospitalar, fica claro que o TAVI não só é factível e seguro mas também apresenta menos complicações graves que comprometem o desenvolvimento pessoal e social dos pacientes (como o AVC). Por outro lado, apresentam menos dias de internação e isso com certeza gera menos gastos nos sistemas de saúde.

 

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

 

Título original: Transcatheter Versus Surgical Aortic valve Replacement in Patients With Prior Coronary Artery Bypass Grafting. Trends in Utilization and Propensity-Matched Analysis of In-Hosptial Outcomes.

Referência: Tanush Gupta, et al. Circ Cardiovasc Interv 2018,11:e006179.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Embolização de dispositivos de oclusão do apêndice atrial esquerdo: preditores, prevenção e estratégias de manejo

A fibrilação atrial se associa com um aumento do risco de AVC e, em pacientes com contraindicação para anticoagulação, a oclusão percutânea do apêndice...

Revascularização coronariana prévia ao TAVI: PCI prévia ou manejo conservador?

A coexistência de doença coronariana (DAC) em pacientes com estenose aórtica severa candidatos a TAVI é frequente, com uma prevalência relatada de entre 30%...

Aspiração mecânica percutânea versus tratamento cirúrgico da endocardite da valva tricúspide: revisão sistemática e metanálise

A endocardite infecciosa da valva tricúspide (TVIE) representa entre 5% e 10% de todos os casos de endocardite infeciosa. O tratamento cirúrgico constitui o...

CRT 2026 | NAVITOR IDE: resultados hemodinâmicos e durabilidade em seguimento de 5 anos de uma válvula aórtica transcateter intra-anular autoexpansível

À medida que o TAVI se expande a uma população mais jovem e de menor risco cirúrgico, a durabilidade das próteses passa a ser...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

ACC 2026: Resultados do estudo SURViV – apresentação e análise exclusiva com o Dr. Dimytri Siqueira

Após a apresentação do estudo SURViV nas sessões Late Breaking Clinical Trials do Congresso do American College of Cardiology, o Dr. Dimytri Siqueira (Brasil),...

ACVC 2026 | CELEBRATE: utilização de zalunfiban pré-hospitalar em SCACEST

A otimização do tratamento antitrombótico na fase pré-hospitalar da síndrome coronariana aguda com elevação do ST (SCACEST) continua sendo um desafio devido à demora...

ACVC 2026 | Objetivos de PAM em choque cardiogênico pós-OHCA (subestudo BOX)

O manejo hemodinâmico do choque cardiogênico posterior a parada cardíaca de origem isquêmica (OHCA-AMICS) continua sendo uma área a ser resolvida, particularmente no que...