A reestenose não parece ser tão benigna como acreditávamos

Uma nova revascularização sem complicações e de forma programada ocasionada pela reestenose de um stent se associa a uma maior mortalidade segundo esta nova metanálise que será publicada proximamente no J Am Coll Cardiol Intrv.

El éxito de la angioplastia sobre las CTO por reestenosis disminuye la mortalidad cardíacaHistoricamente, os intervencionistas viam a revascularização repetida (TLR) como algo que “injustamente” aumentava os eventos combinados nos estudos clínicos e em nossos próprios bancos de dados, colocando-nos em desvantagem frente aos cirurgiões. Muitos pensaram que se os pacientes no contexto da TLR não sofriam infartos ou morriam, este evento representava somente o incômodo de ter que passar novamente pela sala de cateterismo. Hoje, com este trabalho, temos que começar a pensar que a revascularização repetida não é totalmente benigna.

 

Numa análise de 21 trabalhos randomizados que incluíram 32.882, a revascularização repetida resultou em um preditor independente de mortalidade por qualquer causa após a realização do ajuste por múltiplos potenciais elementos de confusão (HR 1,23; IC 95% 1,04-1,45).


Leia também: Quanto mais elevado o nível de LDL, maior o benefício da terapia agressiva em termos de mortalidade.


Mesmo aquelas revascularizações repetidas nas quais se chegou ao diagnóstico de reestenose por sintomas de esforço ou por um estudo funcional de rotina (não uma síndrome coronariana aguda) e cujos procedimentos não apresentaram complicação alguma, observou-se que, a longo prazo, estão associadas a um aumento da mortalidade. Neste sentido, a reestenose do stent pode competir em risco com as lesões de novo.

 

Nesta coorte, 7,2% dos pacientes precisaram de uma revascularização repetida da lesão alvo que resultou de forma programada e sem complicações em uma média de 271 dias após a angioplastia índice. Comparativamente, a mesma coorte de pacientes requereu 2,5% de revascularizações programadas e sem complicações de lesões não relacionadas com a lesão tratada previamente.

 

Os pacientes com reestenose foram mais jovens, mais frequentemente do sexo feminino, mais frequentemente diabéticos e com outras comorbidades agregadas do que os pacientes que precisaram ser revascularizados em lesões diferentes à tratada previamente.


Leia também: Revascularização híbrida ou cirurgia convencional, a história ainda está sendo escrita.


A mortalidade para aqueles que não precisaram voltar para a sala de cateterismo foi de 1,87 por cada 100 pacientes por ano, ao passo que para aqueles que apresentaram reestenose foi de 2,45 por cada 100 pacientes por ano e para aqueles com revascularização de lesões de novo foi de 2,67 por cada 100 pacientes por ano.

 

Após realizar o ajuste por múltiplos elementos de confusão, a revascularização provocada por reestenose se associou a um aumento do risco de morte, o que não ocorreu com a revascularização de lesões de novo.

 

Aqueles com reestenose que apresentaram infarto agudo do miocárdio em algum momento do seguimento multiplicaram por 4 seu risco de morrer (HR 3,82; IC 95% 2,44-5,99).


Leia também: Devemos fazer a melhor revascularização coronariana antes do TAVI.


Cabe agregar o fato de os investigadores terem excluído da análise aquelas revascularizações das lesões alvo que se apresentaram como infartos agudos do miocárdio e aquelas que apresentaram infartos periprocedimento, motivo pelo qual, a mortalidade pode estar subestimada.

 

Talvez os pacientes que evoluem com reestenose apresentem maior complexidade que os outros, seja do ponto de vista clínico, do anatômico ou de ambos e isso, finalmente, acabe marcando seu pior prognóstico.

 

Título original: Mortality following non-emergent, uncomplicated target lesion revascularization after PCI: an individual patient data pooled analysis of 21 randomized trials and 32,524 patients.

Referência: Palmerini T et al. J Am Coll Cardiol Intrv. 2018; Epub ahead of print.


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