Quanto mais elevado o nível de LDL, maior o benefício da terapia agressiva em termos de mortalidade

Os novos trabalhos que estão surgindo parecem respaldar um limiar de LDL acima do qual se justificaria intensificar ainda mais a estratégia farmacológica que por si só já é bastante agressiva. O fato de sermos mais agressivos com a terapia hipolipemiante implicaria, muitas vezes, acrescentar drogas novas muito mais caras que não chegam a convencer muitos especialistas quando consideram a equação custo/benefício.

FOURIER: eficacia del evolocumab para alcanzar niveles ultra bajos de LDLA terapia intensiva para diminuir o valor de LDL reduz o risco cardiovascular e a mortalidade por qualquer causa quando comparada a uma terapia menos intensiva, mas em termos de mortalidade dito benefício varia de acordo com os níveis basais de LDL, segundo os resultados desta metanálise publicada no JAMA.

 

De fato, o benefício em mortalidade com a terapia intensiva só foi observado nos pacientes que em termos basais apresentavam valores de LDL acima de 100 mg/dl, o que sugere que o benefício de acrescentar ezetimibe ou um inibidor PCSK9 (existem dois disponíveis no mercado) só se justificaria naqueles casos de maior risco (isto é, os maiores valores basais de LDL).


Leia também: FOURIER: eficácia do evolocumab para alcançar níveis ultrabaixos de LDL.


É provável que um LDL basal superior a 100 mg/dl justifique maiores esforços em termos de drogas e custos. Contudo, a pergunta a responder seria: a que objetivo chegar? É óbvio que todos os pacientes devem chegar a menos de 70 mg/dl, menos de 50 mg/dl ou inclusive menos de 30 mg/dl, como alguns grupos de especial alto risco demonstraram.

 

A esta altura da discussão parece necessário fazermos um trabalho mais rigoroso nos dados dos pacientes individuais e não como até agora, que a informação que surge é rigorosa no que se refere ao estudo em si. Em outras palavras, esta metanálise se centrou nos níveis basais de LDL de diferentes trabalhos, mas ao mesmo tempo houve muitas diferenças entre os distintos trabalhos analisados, como o tipo de pacientes incluídos, o tempo de seguimento, etc. Em última instância, tudo se reduz a chegar a uma conclusão com base em um número de laboratório, neste caso o LDL basal.

 

Esta metanálise será proximamente publicada no JAMA e incluiu 34 trabalhos randomizados que incluíram as estatinas, ezetimibe e os inibidores PCSK9 (alirocumab e evolocumab). Oito dos trabalhos foram em prevenção primária, 16 em prevenção secundária e 10 incluíram ambos os tipos de pacientes.


Leia também: Controle do colesterol LDL ajuda a reduzir o volume de placas.


Foram incluídos trabalhos desde o 4S e o WOSCOPS (que têm mais de 20 anos) até o recentemente publicado FOURIER, que avaliou o evolocumab. Todos juntos somaram um total de 133.989 pacientes que receberam uma terapia menos agressiva.

 

A mortalidade por qualquer causa se reduziu no grupo com tratamento intensivo (7,08% vs. 7,70%; RR 0,92; IC 95%, 0,88 a 0,96). Algo similar foi observado com a mortalidade cardiovascular (3,48% vs. 4,07%; RR 0,84; IC 95%, 0,79 a 0,89). 

 

Uma terapia intensiva se associou a uma maior redução da mortalidade por qualquer causa e da mortalidade cardiovascular quanto maior fosse o nível basal de LDL, mas o benefício se fez significativo no corte de 100 mg/dl (p < 0,001 para a interação).

 

Tudo isso deve ser levado em consideração devido à enorme quantidade de população a tratar e aos custos do tratamento. Se o ezetimibe, mesmo a droga genérica, é considerado caro para a maioria dos sistemas de saúde, o que podemos dizer do custo/benefício dos novos inibidores PCSK9?

 

Título original: Association between baseline LDL-C level and total and cardiovascular mortality after LDL-C lowering: a systematic review and meta-analysis.

Referência: Navarese EP et al. JAMA. 2018;319:1566-1579.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

DAPT ≤ 30 dias após angioplastia coronariana com balão eluidor de fármaco

A angioplastia coronariana com balão eluidor de fármaco (DCB) sem implante de stent se consolidou como uma alternativa válida em diversos cenários clínicos, particularmente...

Ticagrelor vs. clopidogrel em pacientes com SCA e ACOD após ICP: mais sangramento sem benefício isquêmico?

Em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) que requerem anticoagulação oral direta (ACOD) e são submetidos a uma intervenção coronariana percutânea (ICP), os guias...

EuroPCR 2026 | É seguro suspender a aspirina a um mês em pacientes com infarto tratados com PCI? Análise do TARGET-FIRST

Este é um resumo da análise pós-hoc do estudo TARGET-FIRST, apresentado pelo Dr. Giuseppe Tarantini no EuroPCR 2026 sobre a interrupção precoce da aspirina...

EuroPCR 2026 | Evolocumabe reduz eventos cardiovasculares em pacientes com PCI prévia sem infarto: resultados do VESALIUS-CV

Esta apresentação, realizada pelo Dr. Brian A Bergmark e colaboradores no EuroPCR 2026, detalha os resultas do ensaio VERSALIUS-CV, centrando-se especificamente no subgrupo de...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Redo-TAVI: resultados em seguimento de 30 dias com a utilização de SAPIEN 3

As 4 indicações para o implante transcateter da valva aórtica (TAVI) se ampliaram rapidamente para incluir pacientes de risco intermediário e baixo, estendendo seu...

DAPT ≤ 30 dias após angioplastia coronariana com balão eluidor de fármaco

A angioplastia coronariana com balão eluidor de fármaco (DCB) sem implante de stent se consolidou como uma alternativa válida em diversos cenários clínicos, particularmente...

Progressão da doença coronariana após o TAVI: análise por meio de QCA e QFR

A coexistência de doença coronariana e estenose aórtica severa é frequente nos pacientes submetidos a implante transcateter valvar aórtico (TAVI). No entanto, ainda é...