A presença de hipertensão pulmonar não deve contraindicar o TAVI

Na maioria dos pacientes que apresentam estenose aórtica severa e hipertensão pulmonar, o implante percutâneo da valva aórtica (TAVI) reduziu os valores sistólicos de pressão pulmonar.

Aqueles pacientes cujos valores de pressão pulmonar se reduziram após o TAVI apresentaram menor risco e menor mortalidade por qualquer causa a curto, médio e longo prazo. De posse destes dados fica claro que a hipertensão pulmonar não deve, de nenhuma maneira, contraindicar o TAVI.

A hipertensão pulmonar é um achado comum nos pacientes que recebem TAVI. O tratamento está frequentemente associado à regressão da hipertensão, embora os preditores de que isso ocorra e o significado no prognóstico ainda não seja conhecido.

Este trabalho incluiu 617 pacientes consecutivos que receberam TAVI entre 2009 e 2015 e foram estratificados em tercis de acordo com sua pressão sistólica basal na pulmonar em: normal (PASP < 34 mmHg), leve a moderada (34 mmHg ≤ PASP 46 mmHg) e hipertensão pulmonar severa (PASP ≥ 46 mmHg). Após o TAVI, 520 pacientes com hipertensão pulmonar foram reestratificados a receber alta de acordo com a presença, ausência ou redução da PASP.


Leia também: TAVI em baixo risco em voga em várias publicações.


O desfecho primário foi a mortalidade por qualquer causa após 30 dias, 1 ano e a um seguimento à distância de até 5,9 anos.

Os pacientes com hipertensão basal leve a moderada mostraram uma diminuição significativa no momento da alta e após um ano. O risco de mortalidade por qualquer causa foi similar em todos os pacientes com hipertensão pulmonar basal em todos os intervalos de tempo.

Após o TAVI quase a metade dos pacientes (46%) mostraram uma redução significativa da pressão pulmonar.

O contrário ocorreu com aqueles pacientes que ficaram com hipertensão residual, entre os quais a mortalidade após 30 dias (HR: 3,49; p < 0,001) e um ano (HR: 2,47; p < 0,001) foi muito superior.


Leia também: Quando 80 parece o ponto de corte para indicar o TAVI, 90 poderia ser a contraindicação?


Uma fração de ejeção > 40%, uma pressão pulmonar basal severa, a ausência de insuficiência tricúspide concomitante moderada a mais e um EuroSCORE log < 25 foram preditores independente de uma redução da pressão pulmonar.

Conclusão

Muitos pacientes que recebem TAVI apresentam de maneira concomitante hipertensão pulmonar, e a realização do procedimento se associou com uma significativa redução da pressão pulmonar a curto e longo prazo. Nos casos em que a pressão se reduziu também se observou a diminuição da mortalidade a curto, médio e longo prazo. A presença de hipertensão pulmonar não deve contraindicar em absoluto o implante valvar.

Título original: Pulmonary Hypertension in Patients With Severe Aortic Stenosis: Prognostic Impact After Transcatheter Aortic Valve Replacement. Pulmonary Hypertension in Patients Undergoing TAVR.

Referência: Brunilda Alushi et al. JACC Cardiovasc Imaging. 2019 Apr;12(4):591-601.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Manejo da trombose valvar em TAVI: enfoque atual baseado em evidência

A expansão do implante transcateter da valva aórtica (TAVI) em populações mais jovens e de menor risco colocou em primeiro plano a trombose da...

Experiência com a válvula intra-anular autoexpansível Navitor: dados do registro STS/ACC TVT

A expansão do TAVI, com a introdução de dispositivos de nova geração, tem priorizado não só a segurança periprocedimento mas também a preservação do...

As duas caras da mesma moeda: o que nos ensinam os ensaios CHAMPION-AF e CLOSURE-AF sobre a oclusão do apêndice atrial esquerdo?

Carta de leitor: Juan Manuel Pérez Asorey A oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo (LAAO) passa hoje por um dos momentos mais interessantes de sua...

CLOSURE-AF: oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo versus tratamento médico em fibrilação atrial

A oclusão percutânea do apêndice atrial esquerdo é proposta como uma alternativa à anticoagulação em pacientes com fibrilação atrial e alto risco hemorrágico, embora...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Embolização com coils de artérias segmentares como estratégia de proteção medular prévia à recuperação endovascular complexa de aorta toracoabdominal

A isquemia medular continua sendo uma das complicações mais devastadoras na recuperação de aneurismas toracoabdominais, com incidência de até 20-30% em reparações extensas. Nesse...

2º Webinar do Curso COMPLICAT 2026: atualização em “Shunts” com especialistas internacionais

A área de cardiopatias congênitas da SOLACI, em conjunto com a SECARDIOPED, convida a comunidade médica a participar do 2º Webinar do Curso COMPLICAT...

Trombectomia mecânica versus anticoagulação no TEP de risco intermediário: revisão sistemática e metanálise

O tromboembolismo pulmonar (TEP) de risco intermediário tem como tratamento padrão a anticoagulação, ao passo que as estratégias de reperfusão continuam sendo motivo de...