TAVI em baixo risco em voga em várias publicações

O implante percutâneo da valva aórtica em pacientes de baixo risco com estenose aórtica severa sintomática parece seguro após um ano. No seguimento tomográfico pôde-se observar somente uma minoria com engrossamentos com hipoatenuação das valvas após 30 dias, embora os mesmos não tivessem um impacto hemodinâmico a longo prazo. Cabe recordar que ainda não temos clareza de como manejar este achado/problema e que tampouco conhecemos o tratamento antiagregante/antitrombótico ótimo para o TAVI (tanto em geral quanto para as diferentes populações).

Mas a verdade é que o TAVI avança e ganha terreno até o extremo de que no último PCR, sem importar o risco, foi declarado como o novo tratamento padrão. E como se fosse pouco, o risco já nem deveria ser considerado em situações nas quais há uma equipe multidisciplinar que esteja de acordo com a estratégia.

O estudo LRT foi prospectivo e multicêntrico e foi o primeiro aprovado pela FDA para testar o TAVI na população de baixo risco.

Dito estudo recrutou 200 pacientes de baixo risco com estenose aórtica severa sintomática que receberam TAVI em 11 centros.


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A idade média dos pacientes foi de 73,6 anos e 61,5% da população estava composta de homens. Após 30 dias a mortalidade foi igual a zero e o mesmo pode ser dito em relação ao AVC. Só poderíamos mencionar como complicação uma baixa taxa de necessidade de marca-passo (5%).

Após um ano, a mortalidade foi de 3%, o AVC foi de 2,1% e os marca-passos aumentaram a 7,3%. Dois pacientes precisaram ser operados a céu aberto por endocardite.

14% dos pacientes apresentaram imagens hipoatenuantes nas valvas, fato que não modificou o funcionamento hemodinâmico após um ano, mas sim se relacionou com uma taxa numericamente maior de AVC (3,8% vs. 1,9%; p = 0,53).

Conclusão

O implante percutâneo da valva aórtica (TAVI) em pacientes com estenose aórtica severa sintomática parece seguro após um ano. As imagens hipoatenuantes em uma minoria dos pacientes não modificaram a hemodinâmica após um ano embora coloquem como desafio de futuros estudos a definição do tratamento antiagregante/antitrombótico adequado.

Título original: TAVR in Low-Risk Patients 1-Year Results From the LRT Trial.

Referência: Ron Waksman et al. J Am Coll Cardiol Intv 2019;12:901–7.


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