Anuloplastia percutânea em insuficiência mitral funcional vs. procedimento fingido

Quando é difícil que os fármacos ou dispositivos demonstrem uma melhora em desfechos duros (desfechos definitivos) como a mortalidade, faz-se necessário buscar desfechos mais suaves (desfechos substitutos) e fáceis de provar. O problema é que os desfechos substitutos ou sub-rogados são muitas vezes subjetivos (como a sensação de dispneia ou angina de peito) e poderiam estar apresentar viés por um efeito placebo da droga ou do dispositivo.  

¿Qué usar para medir funcionalmente una lesión coronaria en el contexto de estenosis aórtica severa?

Foi assim que surgiram (e já parece uma moda) os procedimentos invasivos disfarçados ou fingidos onde o paciente, ao abandonar a sala de cateterismo, não sabe se na verdade lhe foi implantado um stent (como exemplo disso podemos mencionar o estudo ORBITA), se efetivamente recebeu denervação renal (por exemplo, o estudo SPYRAL HTN-ON MED) ou – no trabalho particular que analisamos hoje e que proximamente será publicado no J Am Coll Cardiol, o HF – se efetivamente receberam um dispositivo para tratar a insuficiência mitral funcional. 

O estudo REDUCE FMR incluiu 120 pacientes, randomizando-os a receber tratamento médico ótimo para a insuficiência cardíaca mais o implante do dispositivo Carillon no seio venoso para reduzir o anel vs. tratamento médico ótimo mais procedimento disfarçado ou fingido. 


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O desfecho primário foi a mudança de volume regurgitante em 12 meses quantificada por ecografia de acordo com a intenção de tratamento. 

87 pacientes foram randomizados a receber o dispositivo. Dentre eles, 73 (84%) puderam recebê-lo efetivamente e os restantes pacientes receberam um procedimento disfarçado. 

O desfecho primário foi alcançado com a redução efetiva do volume regurgitante com o dispositivo Carrillon vs. placebo (redução de 7,1 ml/batimento vs. um aumento de 3,3 ml/batimento, respectivamente; p = 0,49).


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Também se conseguiu reduzir o volume de fim de diástole e o volume de fim de sístole. 

No que se refere aos sintomas, a dispneia melhorou significativamente um ano após a realização do procedimento. O mesmo pode ser dito em relação à qualidade de vida e a distância percorrida em 6 minutos. 

Conclusão

O dispositivo Carrillon reduziu significativamente o volume regurgitante, os volumes ventriculares esquerdos e os sintomas de pacientes com insuficiência mitral funcional e tratamento médico ótimo. 

Título original: The REDUCE FMR Trial. A Randomized Sham-Controlled Study of Percutaneous Mitral Annuloplasty in Functional Mitral Regurgitation.

Referência: Klaus K. Witte et al. J Am Coll Cardiol HF 2019, article in press.


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