Espaço do Fellow | 1° Caso Clínico: Nem tudo que brilha é ouro

A seguir, apresentamos o primeiro caso clínico da seção O Espaço do Fellow, destinado aos Fellows da América Latina que queiram aprender e continuar se atualizando em Cardiologia Intervencionista. 

Participe da discussão nos comentários deste artigo e some-se à conversação!


Autores do caso: Jair Suriano Martins (ARG), Leonardo Ripa (ARG).

Moderador: Dr. Nicolas Zaderenko (Arg).

Instituição: Sanatório Allende Cerro, Córdoba, Argentina.

Especialista convidado: Dr. José Mangione (BRA). Hosp. Beneficência Portuguesa de São Paulo.


Apresentação do Caso

DADOS PESSOAIS

  • Mulher.
  • 55 anos.
  • Dona de casa.

ANTECEDENTES ATUAIS

  • Sedentarismo.
  • Tabagismo atual.
  • Menopausa precoce (DUM aos 38 anos).

MOTIVO DE CONSULTA

Dor torácica.

DOENÇA ATUAL

Consulta em centro periférico por angina de peito de 30 minutos de duração que começa em repouso, de intensidade máxima, com irradiação a membro superior acompanhada de sintomas neurovegetativos que se modificam com os movimentos respiratórios.

O ECG de urgência evidencia distúrbio de condução do ramo direito. Faz-se tratamento anti-isquêmico e são solicitadas enzimas cardíacas, as quais são positivas (1,3 ugr/ml VN: < 0,01).

Apresenta novo episódio de angina de peito (sem alterações eletrocardiográficas) que cede com nitroglicerina. 

O quadro é interpretado como infarto agudo do miocárdio sem elevação do ST de alto risco e o Serviço de Hemodinâmica é ativado. A paciente é submetida a cinecoronariografia de urgência. 

ESTUDOS COMPLEMENTAReS

ECG

CCG

A lesão da artéria descendente anterior é interpretada como a responsável pelo evento e decide-se realizar angioplastia com stent 3,0 x 30 mm (DES).

ECO DOPPLER

FEVE 58%, VE com hipocinesia apical, resto de atividades motoras normais. AE com leve dilatação. VD contratilidade e função normal. Doppler normal. 

EVOLUÇÃO

A paciente apresenta boa evolução e por questões administrativas é encaminhada à nossa instituição para continuar a evolução do seu infarto e decidir se será submetida a revascularização completa antes de receber a alta. 


Comentários do Moderador

Parabenizo os Drs. Suriano e Ripa do Hospital Central de Mendoza pela apresentação do caso. 

Parece-me um excelente caso para iniciar este fórum de discussão pensado e criado para todos os Fellows da América Latina. 

Acredito que esta é uma das situações mais frequentes no laboratório de hemodinâmica, já que estamos diante de uma paciente com um SCASEST de moderado a alto risco, que foi estudada em caráter de urgência e na qual encontramos duas lesões severas, dentre as quais teremos que decidir qual trataremos. Em um segundo momento, a pacientes é encaminhada a outro centro para continuar sua evolução e decidir a conduta terapêutica.

Por tal motivo e para iniciar este debate, aqui vão as minhas perguntas: 

  1. Neste caso, todos teriam feito intervenção na ADA?
  2. De que se valem para decidir a conduta?
  3. Este caso justificaria a realização de algum método de diagnóstico invasivo ou não invasivo?
  4. Qual seria a conduta terapêutica a seguir?

Saudações a todos!

Dr. Nicolas Zaderenko. 


Durante a internação o caso é reavaliado e decide-se por realizar avaliação com imagem intracoronariana de stent implantado no tronco distal da coronária esquerda rumo a descendente anterior e estudar a situação da coronária direita.

Faz-se OCT e o exame evidencia, na coronária direita, placa fibrolipídica com imagem de erosão e flap de dissecção com estenose significativa com trombo em seu interior.

CD

Evidencia mal posicionamento do stent implantado em artéria descendente e tronco da coronária esquerda.

DA

INTERVENÇÃO

A partir das imagens obtidas, reinterpreta-se que a artéria culpada pelo evento poderia ser a coronária direita, motivo pelo qual se decide realizar angioplastia com stent em dito vaso (vídeo 3, imagem 3).

CCG

OCT Post

Decide-se, como estratégia, otimizar intrastent com balão 3,5 x 20 mm na porção proximal da descendente anterior e balão 4,5 mm na porção média e distal do tronco da coronária esquerda.

OCT Pos

EVOLUÇÃO

Assintomática no momento da alta e em um ano no seguimento pelo serviço com estudos não invasivos.



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