Podemos suspender a aspirina após uma angioplastia?

Descontinuar a aspirina após 1 a 3 meses de uma angioplastia para continuar com um inibidor do receptor P2Y12 reduz o risco de sangramento sem aumentar os eventos trombóticos. Esta afirmação é válida inclusive para os pacientes que são admitidos com uma síndrome coronariana aguda. 

¿Se puede suspender la aspirina luego de una angioplastia?

A dupla antiagregação plaquetária com aspirina mais um inibidor do receptor P2Y12 demonstrou reduzir os eventos maiores em comparação com somente a aspirina tanto após uma angioplastia como após uma síndrome coronariana aguda. O preço é um aumento dos sangramentos. 

A segurança de descontinuar a aspirina e continuar com um inibidor do receptor P2Y12 (esquema contrário ao histórico) ainda tem controvérsias. 

Para somar informação neste sentido foi feita a presente metanálise que incluiu 5 estudos randomizados com um seguimento de entre 12 e 15 meses. 

Todos os estudos descontinuaram a aspirina entre o primeiro e o terceiro mês após uma angioplastia para seguir com monoterapia de um inibidor do P2Y12 vs. esquema tradicional de dupla antiagregação. 


Leia também: ACC 2020 Virtual | VOYAGER PAD: el rivaroxaban supera a la aspirina en prevenir eventos.


Foram incluídos 32.145 pacientes que receberam angioplastia (mais da metade, ou 56,1%, no contexto de uma síndrome coronariana aguda).

No braço experimental houve 16,5% dos pacientes que continuou com monoterapia de clopidogrel e 83,5% com prasugrel ou ticagrelor. 

Descontinuar a aspirina entre 1 e 3 meses após a angioplastia reduziu o risco de sangramento maior em 40% em comparação com a dupla antiagregação (1,97% vs. 3,13%: HR 0,6; IC 95%, 0,45 a 0,79).


Leia também: Alternativas en pacientes alérgicos a la aspirina.


O risco de eventos trombóticos não aumentou com a suspensão da aspirina (2,73% vs. 3,11%; HR 0,88; IC 95%, 0,77 a 1,02).

Os achados foram consistentes também nos pacientes que foram submetidos a angioplastia no contexto de uma síndrome coronariana aguada, reduzindo o risco de sangramento ainda mais que na população geral (50% em termos relativos). Nesta população de maior risco não se observou um aumento de eventos trombóticos. 

Título original: The Safety and Efficacy of Aspirin Discontinuation on a Background of a P2Y12 Inhibitor in Patients After Percutaneous Coronary Intervention. A Systematic Review and Meta-Analysis.

Referência: Michelle L. O’Donoghue et al. Circulation. 2020;142:538–545.  DOI: 10.1161/CIRCULATIONAHA.120.046251.


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