Novos marcadores de dano em estenose aórtica que definem pacientes assintomáticos

A estenose aórtica assintomática sempre nos manteve em uma calma tensa. No entanto, estão surgindo novos marcadores capazes de identificar aqueles pacientes que podem se beneficiar com uma intervenção mais precoce. Em tal sentido, a ressonância foi ganhando um merecido lugar na cardiologia e agora mais especificamente no âmbito da estenose aórtica. 

Nuevos marcadores de daño en estenosis aórtica que definen pacientes asintomáticos

Este trabalho teve como objetivo validar marcadores na ressonância que tivessem implicações prognósticas na estenose aórtica e seus limiares para predizer mortalidade. 

Foram incluídos de maneira prospectiva 799 pacientes com estenose aórtica (n = 440 na coorte de encaminhamento e n = 359 na coorte de validação) de 13 centros internacionais seguidos durante quase 4 anos. 

A ressonância magnética foi feita imediatamente antes do implante cirúrgico ou percutâneo. Utilizou-se um modelo de Forest com 29 variáveis (13 por ressonância) que pudessem predizer mortalidade e eventos pós-procedimento.

Foram observadas 52 mortes na coorte encaminhamento e 51 mortes na coorte de validação. Os 4 marcadores por ressonância com maior poder preditivo foram o volume de fração extracelular, o realce tardio com gadolínio, o índice de volume de fim de diástole e a fração de ejeção do ventrículo direito. 

A mortalidade se incrementou de maneira significativa tanto na coorte global quanto nos pacientes assintomáticos quando a fração de volume extracelular excedeu os 27%. 2% de realce tardio com gadolínio foi sinônimo de um risco persistentemente alto.


Leia também: Anticoagulação com heparina em COVID-19 não crítico.


Com relação ao índice de volume de fim de diástole observou-se um aumento de mortalidade em ambos os extremos. Tanto um volume alto (> 80 ml/m2) como um volume pequeno (< 55 ml/m2) foram preditores de mortalidade.

Algo similar pode ser dito em relação à fração de ejeção do ventrículo direito, já que se observou um aumento da mortalidade em ambos os extremos (> 80% e < 50%).

A predição melhorou ainda mais quando estas variáveis foram combinadas com fatores clínicos. 


Leia também: Anticoagulação com heparina em pacientes críticos com COVID-19: resultados diferentes do resto.


Os pontos de corte e a estratificação de risco foram reproduzidos pela coorte de validação. 

Conclusão

A fibrose miocárdica e o remodelamento biventricular são os melhores fatores prognósticos em pacientes com estenose aórtica. É necessário ressaltar sua associação não linear com a mortalidade. 

A ressonância magnética tem o potencial de otimizar a tomada de decisões em pacientes com estenose aórtica. 

Título original: Markers of Myocardial Damage Predict Mortality in Patients With Aortic Stenosis.

Referência: Soongu Kwak et al. J Am Coll Cardiol. 2021 Aug 10;78(6):545-558. doi: 10.1016/j.jacc.2021.05.047.


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