IAM com múltiplos vasos: o que fazer?

A presença de lesões em múltiplos vasos é frequente no infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST (IAMST) e está demonstrado que quando tratados em um segundo procedimento os pacientes apresentam uma melhor evolução. 

IAM con múltiples vasos ¿qué hacer?

Na atualidade existe pouca informação disponível sobre a realização de angioplastia coronariana transluminal percutânea (ATC) nos vasos com lesões severas não culpadas durante a angioplastia primária. Isso se deve à especulação de que prolongar um procedimento poderia agregar comorbidades, especialmente em termos de insuficiência renal ou, em caso de complicações durante a ATC da artéria não culpada, poderia colocar o paciente em perigo. 

O Estudo MULTISTAR AMI é um ensaio randomizado e multicêntrico que incluiu 840 pacientes com IAMST. Dentre eles, 418 foram submetidos a ATC imediata do vaso não culpado (ATCI) e 422 a ATC diferida do vaso não culpado (ATCD) entre 19 e 45 dias depois do evento.  

O desfecho primário (DP) foi definido como a morte por qualquer causa, infarto não fatal, acidade cerebrovascular, revascularização guiada por isquemia ou hospitalização por insuficiência cardíaca no decurso de um ano a partir da randomização. 

Os dois grupos foram similares quanto às características demográficas. A idade média foi de 65 anos, ao redor de 80% dos pacientes eram homens, 15% tinham diabetes, 52% hipertensão, 7% tinham sido submetidos a ATC prévia, 5% haviam tido um IAM prévio e 2% AVC. 

Leia também: Preditores e evolução da necessidade de marca-passo nas autoexpansíveis.

O tipo de IAM mais frequente foi o anterior (40%), seguido do inferior, lateral e posterior. 

Em 72% dos casos, a ATC foi levada a cabo mediante acesso radial, e o fluxo fracionado de reserva (FFR) ou técnicas com imagens foram utilizados durante o procedimento em uma proporção baixa, ao passo que em 2,9% dos casos de ATCD foi necessário realizar crossover. A estadia média no hospital foi de 4 dias. 

O DP foi similar nos dois grupos, 8,5% em ATCI e 16,5% em ATCD, sem demonstrar inferioridade entre as estratégias (razão de risco de 0,52, intervalo de confiança de 95% [IC], 0,38 a 0,72; P < 0,001 para não inferioridade e p < 0,001 para superioridade).

Leia também: Mismatch Protético após o TAVI.

Não foram observadas diferenças significativas em termos de mortalidade por qualquer causa, mortalidade cardiovascular, acidente vascular cerebral, infarto não fatal, revascularização guiada por isquemia, trombose do stent, sangramento, hospitalização por insuficiência cardíaca, deterioração da função renal ou qualidade de vida. 

Conclusão

Em pacientes hemodinamicamente estáveis com IAMST e lesões em múltiplos vasos coronarianos, a ATC imediata multivaso não teve resultados inferiores à realizada em dois tempos no que diz respeito ao risco de morte por qualquer causa, infarto não fatal, acidente vascular cerebral, revascularização guiada por isquemia ou hospitalização por insuficiência cardíaca durante o período de um ano.

Dr. Carlos Fava - Consejo Editorial SOLACI

Dr. Carlos Fava.
Membro do Conselho Editorial da SOLACI.org.

Título Original: Timing of Complete Revascularization with Multivessel PCI for Myocardial Infarction.

Referência: B.E. Stähli, et al. NEJM DOI: 10.1056/NEJMoa2307823.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Mais artigos deste autor

Angioplastia coronariana guiada por OCT e IVUS na síndrome coronariana aguda: resultados clínicos a longo prazo

A angioplastia coronariana percutânea (ATC) em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) reduziu a mortalidade na fase aguda. No entanto, a SCA recorrente e...

Rolling Stone: registro de utilização de Litotripsia IV vs. Aterectomia em lesões calcificadas complexas

A calcificação coronariana severa representa uma das principais dificuldades na realização de uma angioplastia coronariana, tanto pelo maior risco de subexpansão do stent quanto...

Registro Global Morpheus: segurança e eficácia do stent longo cônico BioMime Morph em lesões coronárias complexas

A angioplastia em lesões coronárias longas continua representando um desafio técnico e clínico, no qual o uso de stents cilíndricos convencionais pode se associar...

Revascularização híbrida vs. convencional em doença do tronco da coronária esquerda

A doença significativa do tronco da coronária esquerda (TCE) continua representando um desafio terapêutico, particularmente em pacientes com doença multivaso complexa e escores de...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

CHIP LATAM | Capítulo 2 – México: Workshop de Complicações

A Sociedade Latino-Americana de Cardiologia Intervencionista convida toda a comunidade médica para participar de um workshop virtual sobre complicações organizado pela área de Intervenções...

Angioplastia coronariana guiada por OCT e IVUS na síndrome coronariana aguda: resultados clínicos a longo prazo

A angioplastia coronariana percutânea (ATC) em pacientes com síndrome coronariana aguda (SCA) reduziu a mortalidade na fase aguda. No entanto, a SCA recorrente e...

Resultados de seguimento de um ano do ENCIRCLE: substituição mitral percutânea em pacientes não candidatos a cirurgia nem a TEER

A insuficiência mitral (IM) sintomática em pacientes não candidatos a cirurgia nem a reparo transcateter borda a borda (TEER) continua representando um cenário de...