AHA 2025 | DAPT-MVD: DAPT estendido vs. aspirina em monoterapia após PCI em doença multivaso

Em pacientes com doença coronariana multivaso que se mantêm estáveis 12 meses depois de uma intervenção coronariana percutânea (PCI) com stent eluidor de fármacos (DES), persiste a incerteza acerca de se é conveniente prolongar a terapia antiagregante dual (DAPT) com aspirina (AAS) e clopidogrel ou desescalar a monoterapia com AAS. O potencial benefício isquêmico de uma DAPT prolongada deve ser sopesado com o risco de sangramento e os desafios de aderência a longo prazo. 

O DAPT-MVD foi um estudo randomizado, multicêntrico e aberto, realizado em 97 centros da China, que incluiu 8.250 pacientes. Comparou-se uma estratégia de DAPT estendida (AAS + clopidogrel por 12 meses adicionais) com a AAS em monoterapia a partir do 12º mês pós-implante de DES.

O desfecho primário (DP) em 36 meses foi a ocorrência de eventos cardiovasculares maiores (MACE), definidos como morte cardiovascular, infarto agudo do miocárdio (IAM) não fatal ou acidente vascular cerebral (AVC) não fatal. 

Leia também: AHA 2025 | TUXEDO-2: Manejo antiagregante post-PCI en pacientes diabéticos multivaso — ¿ticagrelor o prasugrel?

Os resultados mostraram uma incidência de MACE de 5,8% no grupo DAPT vs. 6,8% no grupo AAS como monoterapia (HR: 0,82; IC de 95%: 0,69–0,98; p = 0,03), sem incremento significativo do risco de sangramento com a DAPT prolongada. 

Conclusões

Em pacientes com doença coronariana multivaso estável até 12 meses após uma PCI com DES, estender a dupla antiagregação por um ano adicional se associou a uma redução modesta mas significativa de eventos MACE, sem aumento relevante do sangramento. 

Apresentado por Jinwei Tian durante a sessão Late-Breaking Science do AHA 2025, Nova Orleans, EUA.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Dr. Omar Tupayachi
Dr. Omar Tupayachi
Membro do Conselho Editorial do solaci.org

Mais artigos deste autor

ACVC 2026 | CELEBRATE: utilização de zalunfiban pré-hospitalar em SCACEST

A otimização do tratamento antitrombótico na fase pré-hospitalar da síndrome coronariana aguda com elevação do ST (SCACEST) continua sendo um desafio devido à demora...

Fármacos para o tratamento do no-reflow durante a angioplastia

O fenômeno de no-reflow é uma das complicações mais frustrantes da angioplastia primária (pPCI) e expressa a persistência do dano microvascular que, a médio...

CRT 2026 | Clopidogrel vs. aspirina como monoterapia a longo prazo após uma angioplastia coronariana

O uso de aspirina como terapia antiplaquetária crônica após uma angioplastia coronariana (PCI) foi historicamente o padrão recomendado pelas diretrizes internacionais. No entanto, estudos...

Rivaroxabana em doses baixas após a angioplastia periférica: efetividade e segurança na prática clínica

Após a revascularização de membros inferiores, o tratamento médico ótimo inclui antiagregação, estatinas de alta intensidade e controle dos fatores de risco. Estudos recentes...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

ACC 2026 | Protect The Head-To-Head Trial: comparação randomizada entre o sistema de proteção embólica Emboliner versus o Sentinel durante TAVI

O acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico continua sendo uma das complicações mais temidas do TAVI, com uma incidência relativamente baixa, mas persistente, de 2–4%,...

ACC 2026 | Estudo PRO-TAVI: Diferir a angioplastia coronariana em pacientes submetidos a TAVI

A doença coronariana é frequente em pacientes com estenose aórtica severa candidatos a TAVI. As atuais diretrizes recomendam considerar a revascularização em lesões coronarianas...

ACC 2026 | Estudo ALL-RISE: Avalição fisiológica coronariana mediante FFRangio

A avaliação fisiológica coronariana mediante guias de pressão (FFR/iFR) conta com recomendação classe IA nas diretrizes ACC/AHA; contudo, sua utilização continua sendo limitada devido...