As 4 indicações para o implante transcateter da valva aórtica (TAVI) se ampliaram rapidamente para incluir pacientes de risco intermediário e baixo, estendendo seu uso a pessoas mais jovens e com uma maior expectativa de vida. Embora dita evolução incremente o volume de procedimentos, também gera preocupação a respeito da durabilidade a longo prazo das válvulas cardiacas transcateter (THV), que são todas bioprotéticas e, portanto, suscetíveis à deterioração estrutural valvar.

Em consequência, está previsto um aumento substancial da necessidade de reintervenções após o TAVI. A explantação cirúrgica de uma THV continua sendo uma alternativa, embora tecnicamente complexa e associada a uma maior comorbidade. Nesse cenário, o procedimento de redo-TAVI – o implante de uma segunda THV dentro da uma previamente implantada – oferece uma opção menos invasiva e perfila-se como a estratégia terapêutica predominante.
Embora as taxas de sucesso do procedimento comunicadas superem 80%, ditos resultados provêm de um número limitado de estudos retrospectivos. Além disso, as estratégias ótimas para o redo-TAVI ainda não estão completamente definidas. As características próprias de design de cada válvula (por exemplo, altura da estrutura, comprimento da saia e posição dos folhetos) contribuem para aumentar a complexidade do procedimento.
A isso se soma a variabilidade derivada das diferenças entre as plataformas de THV de primeira geração e as atuais, bem como dos distintos mecanismos de falha (estenose vs. regurgitação). Em muitos casos, a escolha da válvula, a profundidade do implante e a necessidade de proteção coronariana continuam se baseando em critérios empíricos perante a ausência de diretrizes padronizadas.
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O registro ReTAVI é o primeiro estudo prospectivo, internacional e multicêntrico desenhado para avaliar a segurança e a eficácia do redo-TAVI em 30 dias (implante de uma segunda válvula em uma prótese falha) utilizando exclusivamente a plataforma expansível por balão SAPIEN 3. No contexto da expansão das indicações de TAVI a pacientes mais jovens e de menor risco, a necessidade de reintervenções pela deterioração das biopróteses representa uma preocupação crescente.
Foram incluídos 143 pacientes de 59 centros da Europa, Canadá e Israel. A mediana de idade foi de 84 anos, 40,6% da população estava constituída de mulheres e o risco cirúrgico médio (escore STS) foi de 7,0%. As válvulas não funcionantes correspondiam prrincipalmente a CoreValve/Evolut (53,1%), SAPIEN 3 (30.1%) e ACURATE (17,0%). Os mecanismos de falha foram insuficiência isolada (48,6%), estenose (35,2%) e doença valvar mista (16,2%).
O procedimento foi realizado predominantemente por acesso transfemoral (98,6%). O sucesso do implante foi alcançado em 95,1% dos casos. Devido à complexidade anatômica, utilizou-se proteção coronariana em 26,2% dos pacientes, dentre os quais 17,0% requereram o implante de um stent em chaminé.
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No tocante aos resultados do seguimento de 30 dias, o redo-TAVI demonstrou ser uma estratégia segura, com uma mortalidade por qualquer causa de 3,5% e uma taxa de AVC de 0,7%. Além disso, 6,3% dos pacientes requereram o implante de um novo marca-passo. A proporção de pacientes em classe funcional NYHA aumentou de 37,1% no início do estudo para 89,1% em 30 dias (p < 0,001).
Do ponto de vista hemodinâmico, observou-se uma melhora significativa e consistente em todos os subgrupos de válvulas. O gradiente médio se reduziu de 26,0 mmHg a 14,0 mmHg, sendo a redução mais pronunciada nos pacientes com falha estenótica (Δ = −29,0 mmHg). Do mesmo modo, a área valvar média aumentou de 1,1 cm² a 1,6 cm². Não foram registrados casos de insuficiência intraprotética moderada ou grave durante o seguimento de 30 dias.
Conclusão: Redo-TAVI com SAPIEN 3: uma estratégia segura e eficaz para a reintervenção valvar
O redo-TAVI com SAPIEN 3 constitui uma opção segura e eficaz para o tratamento de distintos tipos de próteses trancateter não funcionantes. A segurança do procedimento depende de um planejamento padronizado por meio de tomografia computadorizada multidetector (MDCT), com uma avaliação minuciosa do risco de obstrução coronariana, especialmente em válvulas com estruturas de maior altura. Os resultados aqui apresentados respaldam a viabilidade de uma estratégia de reintervenção transcateter, um aspecto fundamental para o manejo a longo prazo dos pacientes com estenose aórtica.
Título Original: Early outcomes of redo-TAVI with the SAPIEN 3 platform: the prospective, multicentre ReTAVI registry.
Referência: EuroIntervention 2026;22:e629-e641 • Giuseppe Tarantini et al.





