A estenose aórtica com baixo gradiente não melhora com TAVI

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

A estenose aórtica com baixo gradiente não melhora com TAVIÉ de público conhecimento que os pacientes com estenose aórtica com baixo gradiente têm uma má evolução com tratamento médico e, além disso, apresentam um elevado índice de mortalidade com a cirurgia. No caso do TAVI, onde o procedimento é de menor complexidade comparado com a cirurgia, a evidência é contraditória, pois embora alguns estudos concordem com o anteriormente exposto, outros, ao contrário, sugerem que a evolução é similar.

 

Para este trabalho foram analisados 8 estudos que incluíram 12.589 pacientes em total. Definiu-se como “estenose aórtica com baixo gradiente” uma Área Valvar Aórtica (AVA) < 1 cm2 com um gradiente médio < 40 mmHg, exceto por Malkin, que o definiu como um AVA < 1.

 

O desfecho primário foi mortalidade por qualquer causa em 12 meses, enquanto que o secundário foi mortalidade por qualquer causa em 30 dias.

 

Todos os pacientes analisados no estudo apresentaram estenose aórtica severa sintomática. Dentre eles, 3.437 (27,3%) exibiram estenose aórtica com baixo gradiente.

 

A idade média foi de 81 anos. A fração de ejeção foi mais baixa nos que apresentaram estenose aórtica de baixo gradiente (48% vs. 54%), maior presença de diabetes, doença coronariana e EuroSCORE log.

 

O desfecho primário foi maior nos pacientes com estenose aórtica de baixo gradiente (OR: 1,48; 95% CI: 1,3-1,7; p < 0,00001), assim como o EPS (OR: 1,35; 95% CI: 1,11-1,66; p = 0,002). No que se refere à idade, à fração de ejeção, ao histórico de doença coronariana e ao tipo de válvula implantada, não houve impacto da mortalidade no grupo dos pacientes de baixo gradiente devido a ditos fatores.

 

Conclusão

Em uma população de pacientes que receberam TAVI, a presença de estenose aórtica de baixo gradiente parece estar relacionada com um prognóstico pouco alentador.

 

Comentário

A presença de baixo fluxo e de baixo gradiente é um desafio na estenose aórtica, já que se relaciona na cirurgia com maior mortalidade precoce e nesta análise ocorre o mesmo.

 

Devemos aprender a ter mais inquietação, não somente frente ao diagnóstico da estenose aórtica (advertindo a presença de sintomas, a correta avaliação da função ventricular e a fração de ejeção), mas também com relação ao índice de volume sistólico, que se relaciona mais com o deterioro precoce da função ventricular.

 

Gentileza do Dr. Carlos Fava.

 

Título original: Outcomes of Patients With Low-Pressure Aortic Gradient Undergoing Transcatheter Aortic Valve Implantation: A Meta-analysis.

Referência: Federico Carnotto, et al. Catheterization and Cardiovascular Intervention 2017;89:1100-1106.


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