Suspender a dupla antiagregação gera mais eventos trombóticos em 12 meses

Vários trabalhos randomizados demonstram que a dupla antiagregação plaquetária (DAPT) é efetiva na prevenção de eventos trombóticos no segmento tratado com angioplastia, assim como no resto dos segmentos coronarianos.

Suspender la doble antiagregación genera más eventos trombóticos a 12 meses

Isso está muito claro. O problema é uma série de eventos adversos que ocorrem ao suspender o tratamento com o inibidor do receptor P2Y12. Esse fenômeno, conhecido como efeito rebote, ocorre pouco tempo depois da suspensão da DAPT.

 

No estudo DAPT, que comparou 30 dias de DAPT vs. 12 meses em pacientes que receberam angioplastia, observou-se que o maior risco de eventos trombóticos ocorreu dentro dos 3 meses após a suspensão em ambos os ramos, embora os pacientes randomizados a 12 meses de DAPT tenham apresentado mais eventos após a suspensão do que aqueles randomizados a 30 dias.

 

O PEGASUS-TIMI 54 foi um trabalho em prevenção secundária mas chegou a conclusões similares, motivo pelo qual se poderia concluir que após receber mais de um ano de DAPT a probabilidade de ocorrência do efeito rebote seria mais significativa do que com um esquema mais curto.


Leia também: Dupla antiagregação em TAVI: simples é melhor?”


Para esclarecer esse dilema, foram analisados 11.473 pacientes que receberam angioplastia de 6 estudos e que foram randomizados a um esquema curto de DAPT (3 a 6 meses) vs. um esquema longo (12 meses ou mais).

 

Durante os 90 dias posteriores a suspensão do clopidogrel não se observou um aumento significativo de eventos trombóticos entre aqueles pacientes que receberam o esquema curto e os que receberam um esquema longo (HR: 1,18; IC 95%: 0,71 a 1,98; p = 0,52; diferença absoluta de risco 0,10%).

 

O risco de infarto ou de trombose do stent foi similar entre ambos os ramos de tratamento (HR: 0,93; IC 95%: 0,46 a 1,90; p = 0,85).


Leia também:Continua havendo dúvidas sobre o tempo de dupla antiagregação após implante de um DES”.


Ao realizar a metanálise e incluir 11 trabalhos e quase 39.000 pacientes, observou-se um maior risco de eventos precoces após a suspensão naqueles pacientes com esquema de 12 meses ou mais (HR: 2,28; IC 95%: 1,69 a 3,09; p < 0,001), mas não com um esquema de menos de 12 meses (HR: 1,08; IC 95%: 0,67 a 1,74; p para a interação = 0,036).

 

Conclusão

Em pacientes que receberam angioplastia majoritariamente com stents farmacológicos de nova geração (cerca de 90%), descontinuar o clopidogrel após 3 ou 6 meses não se associou a um aumento de eventos dentro dos 90 dias posteriores à suspensão. No entanto, o efeito rebote sim foi observado naqueles que receberam dupla antiagregação por mais de 12 meses.

 

Comentário editorial

A hipótese fisiopatológica do efeito rebote naqueles pacientes que receberam um esquema prolongado é que a inibição crônica do receptor P2Y12 poderia levar a uma adaptação biológica nos mecanismos de transdução dos sinais sobre as plaquetas e os megacariócitos, o que levaria a uma maior sensibilidade nos níveis fisiológicos de ADP e de outros estímulos na cascata da coagulação.

 

Título original: Risk of Early Adverse Events After Clopidogrel Discontinuation in Patients Undergoing Short-Term Dual Antiplatelet Therapy.

Referência: Raffaele Piccolo et al. J Am Coll Cardiol Intv 2017;10:1621–30.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

CRT 2026 | Clopidogrel vs. aspirina como monoterapia a longo prazo após uma angioplastia coronariana

O uso de aspirina como terapia antiplaquetária crônica após uma angioplastia coronariana (PCI) foi historicamente o padrão recomendado pelas diretrizes internacionais. No entanto, estudos...

Rivaroxabana em doses baixas após a angioplastia periférica: efetividade e segurança na prática clínica

Após a revascularização de membros inferiores, o tratamento médico ótimo inclui antiagregação, estatinas de alta intensidade e controle dos fatores de risco. Estudos recentes...

Quão reais são os efeitos adversos das estatinas? Evidência de ensaios clínicos randomizados

A segurança das estatinas continua sendo motivo de debate, em parte devido à extensa lista de efeitos adversos consignados nas bulas, muitos deles derivados...

É seguro usar fármacos cronotrópicos negativos de forma precoce após o TAVI?

O TAVI está associado a uma incidência relevante de distúrbios do sistema de condução e ao desenvolvimento de bloqueios atrioventriculares que podem requerer o...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Aterectomia rotacional e seus segredos técnicos: utilização de guia floppy ou extra-support (ES)

A aterectomia rotacional (AR) continua sendo uma ferramenta muito útil no manejo da calcificação coronariana severa. No entanto, muitos de seus detalhes técnicos se...

Aspiração mecânica percutânea versus tratamento cirúrgico da endocardite da valva tricúspide: revisão sistemática e metanálise

A endocardite infecciosa da valva tricúspide (TVIE) representa entre 5% e 10% de todos os casos de endocardite infeciosa. O tratamento cirúrgico constitui o...

COMPLICAT 2026: aprendizagem colaborativa para enfrentar complicações nas cardiopatias congênitas e estruturais

Curso online gratuito em espanhol5 webinars em 2026 O COMPLICAT 2026 chega à sua segunda edição, consolidando-se como um espaço acadêmico inovador dedicado à análise...