A síndrome coronariana aguda com elevação do ST (SCACEST) anterior continua associada a uma elevada incidência de insuficiência cardíaca e mortalidade, mesmo na era da reperfusão precoce. O conceito de “door-to-unload” surgiu como uma estratégia fisiopatologicamente atraente, apoiada em dados pré-clínicos e em um estudo piloto que tinha sugerido que a descarga ventricular esquerda prévia à reperfusão poderia reduzir o tamanho do infarto.

O objetivo do estudo STEMI-DTU foi avaliar se a estratégia com Impella CP, com uma demora protocolizada da ao menos 30 minutos antes da PCI podia reduzir o tamanho do infarto em comparação com uma estratégia padrão de angiografia coronariana e angioplastia imediata em pacientes com STEMI anterior agudo sem choque cardiogênico.
Tratou-se de um estudo randomizado que incluiu pacientes de entre 18 e 85 anos, com primeiro infarto, entre 1 e 6 horas desde o início da dor, com SCACEST anterior e anatomia apta para o uso de Impella. Os pacientes foram randomizados a uma estratégia de Impella CP + demora ≥ 30 minutos antes da PCI, com suporte entre 4 e 24 horas, ou a PCI imediata. O desfecho primário de eficácia foi o tamanho do infarto medido por ressonância cardíaca entre o dia 3 e 5, expresso como porcentagem da massa ventricular esquerda. Foram randomizados 527 pacientes em 55 centros.
Os resultados mostraram que não houve, na população em que havia intenção de tratar, diferenças no desfecho primário: o tamanho do infarto foi de 30,8% ± 16,2% no grupo tratamento e de 31,9% ± 16,9% no grupo controle (IC de 95%: -4,2 a 2,0; p = 0,50). Na análise por protocolo também não foram observadas diferenças significativas: diferença absoluta de -1,9% (IC de 95%: -5,5 a 1,6; p = 0,28). O desfecho secundário hierárquico tampouco mostrou benefício, com um win ratio de 1,04 (IC de 95%: 0,84-1,28; p = 0,73).
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Como era de se esperar, a estratégia de unloading prolongou os tempos de reperfusão: observou-se uma média de 47 minutos mais de tempo isquêmico total e de 42 minutos de tempo porta-balão, sem ter sido registrada PCI de resgate. Em 12 meses, não foram evidenciadas diferenças significativas na mortalidade por todas as causas (4,0% vs. 5,1%; HR: 0,76; p = 0,51).
No tocante à segurança, na análise pós-hoc da população ITT, o composto de sangramento maior ou complicação vascular foi mais frequente no grupo tratamento (34,0% vs. 6,0%), fundamentalmente devido a eventos relacionados com o sítio de acesso (31,7% vs. 2,3%).
Conclusões: Impella antes da PCI não reduz o tamanho do infarto e aumenta complicações vasculares em STEMI anterior
A combinação de Impella CP com uma demora de 30 minutos antes da PCI não reduziu o tamanho do infarto em comparação com a PCI imediata em pacientes com STEMI anterior sem choque cardiogênico. Os eventos de sangramento maior ou as complicações vasculares foram mais frequentes no grupo Impella.
Apresentado por Gregg W. Stone nos Late-Breaking Clinical Trials do ACC.26, 28–30 de março, em Nova Orleans, EUA.
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