O trombo carotídeo flutuante (cFFT) é uma entidade pouco frequente e de alto risco embólico, associada a eventos neurológicos agudos como o AVC ou o AIT. Sua incidência é baixa (0,05–0,62%), predominando em pacientes mais jovens do que naqueles com doença carotídea aterosclerótica típica. A evidência sobre seu manejo é limitada e heterogênea e as diretrizes atuais recomentam anticoagulação como primeira linha, com base, sobretudo, na opinião de especialistas. Por isso, este estudo avaliou de forma sistemática a segurança e a efetividade das estratégias terapêuticas disponíveis em pacientes com cFFT.

Realizou-se uma revisão sistemática de 11 estudos (majoritariamente retrospectivos), que incluiu 179 pacientes adultos com diagnóstico de cFFT confirmado por imagem, preferentemente angioTAC, evidenciando um trombo intraluminal com extremo distal livre e fluxo circunferencial. A idade média foi de 58,3 ± 2,9 anos, com predomínio masculino (60,9%), sendo 98,9% sintomáticos, principalmente por antecedente de AVC prévio (89,2%). A etiologia mais frequente foi aterosclerótica (68,5%). As estratégias terapêuticas incluíram tratamento antitrombótico (AM) em 120 pacientes (67%), tratamento endovascular (EVT) em 20 (11,2%) – incluindo trombólise intravenosa, trombectomia intra-arterial e angioplastia carotídea –, endarterectomia carotídea (CEA) em 38 (21,2%) e combinações em casos isolados.
O desfecho primário foi o composto de morte por qualquer causa e AVC não fatal (morte/AVC) a curto prazo (< 30 dias) e longo prazo (> 30 dias), ao passo que os secundários incluíram morte e AVC por separado, bem como complicações associadas.
A curto prazo, a taxa global de morte/AVC foi de 5,6%. Conforme a estratégia, o tratamento antitrombótico (AM) apresentou a maior incidência (6,7%), seguido do EVT (5,0%) de da CEA (2,6%). No grupo AM, a anticoagulação mostrou as taxas mais elevadas (7,5%). Os AVC não fatais ocorreram exclusivamente no grupo AM (1,7%). A mortalidade foi de 5,0% em AM, 5,0% em EVT e 2,6% em CEA.
A longo prazo (102 pacientes, seguimento médio de 24,3 meses), a taxa global de morte/AVC foi de 2,9%, com eventos unicamente no grupo AM, sem eventos em EVT nem em CEA. 28% dos pacientes requereram uma segunda estratégia terapêutica, majoritariamente após o tratamento médico inicial, o que reflete a instabilidade clínica e a limitada eficácia do tratamento antitrombótico.
Cabe mencionar que não existem comparações estatísticas formais, motivo pelo qual os resultados são descritivos e estão sujeitos a viés de seleção e confusão por indicação.
Riesgo de AVC e mortalidade no trombo carotídeo flutuante: resultados de acordo com a estratégia terapêutica
Em conclusão, o trombo carotídeo flutuante se associa a um risco significativo de morte ou AVC independentemente do tratamento. No entanto, a anticoagulação isolada (atual recomendação de primeira linha) se associa a maiores taxas de eventos tanto a curto quanto a longo prazo, o que coloca em dúvida seu papel como estratégia inicial. Em contraposição, as estratégias intervencionistas (cirúrgicas ou endovasculares) mostram melhores resultados globais, sendo a endarterectomia carotídea a opção com menor taxa de eventos.
No caso do tratamento endovascular, seus resultados poderiam estar condicionados pela heterogeneidade das técnicas empregadas e por sua capacidade variável de resolução do trombo. Entretando, a evidência disponível é limitada, não randomizada e heterogênea, motivo pelo qual os achados aqui apresentados devem ser interpretados com cautela e requerem validação em estudos prospectivos de maior qualidade.
Título Original: Management of carotid free-floating thrombus: a systematic review.
Subscreva-se a nossa newsletter semanal
Receba resumos com os últimos artigos científicos





