OCT e placas de alto risco: um preditor fundamental de eventos recorrentes após um infarto do miocárdio

Após um infarto do miocárdio (IM), as lesões não culpadas costumam ser diferidas quando não apresentam limitação significativa do fluxo coronariano (FFR negativo). No entanto, ditas lesões continuam representando uma fonte relevante de eventos cardiovasculares recorrentes. A presença de placas de alto risco (HRP), identificadas mediante tomografia de coerência ótica (OCT) em lesões com FFR negativo, associou-se a piores resultados clínicos a longo prazo. 

O objetivo deste estudo prospectivo, observacional e multicêntrico foi avaliar a associação entre a presença de HRP e a ocorrência de eventos cardiovasculares após um IM, com um seguimento final de 5 anos. 

Foram incluídos 438 pacientes como IM recente (STEMI ou NSTEMI). Realizou-se OCT em todas as lesões não culpadas intermediárias (estenose visual entre 30% e 90%) com um FFR > 0,80. Definiu-se como HRP, segundo critérios por OCT, a presença de ao menos dois dos seguintes três achados: arco lipídico ≥ 90°, espessura mínima da camada fibrosa < 65 µm e presença de rotura de placa ou trombo. 

O desfecho primário (DP) foi a incidência de MACE no paciente, definido como morte cardíaca, IM não fatal ou revascularização não planificada em seguimento de 5 anos. 

A prevalência de HRP foi de 34% (143 de 420 pacientes analisados). No tocante aos resultados, a taxa de MACE foi significativamente maior no grupo com HRP do que no grupo sem HRP (18,9% vs. 10,8%; HR: 1,87; IC de 95%: 1,11-3,14; p = 0,017). 

Ao analisar os componentes individuais do DP, o risco de IM não fatal foi quatro vezes superior nos pacientes com HRP (HR: 4,07; p = 0,013), ao passo que a necessidade de revascularização não planificada foi o dobro (HR: 1,97; p = 0,027). 

Leia também: Ticagrelor vs. clopidogrel em pacientes com SCA e ACOD após ICP: mais sangramento sem benefício isquêmico?

O risco associado às HRP se concentrou principalmente durante os primeiros dois anos de seguimento (HR: 2,67; p = 0,006). Entre os 2 e os 5 anos, as diferenças deixaram de ser significativas (HR: 1,25; p = 0,581). Entre os distintos achados por OCT, a rotura de placa não culpada mostrou a associação mais robusta com eventos adversos (HR: 3,20 para MACE; p < 0,001). 

As placas de alto risco identificadas por OCT aumentam o risco de MACE após um infarto, inclusive com FFR negativo

As placas não culpadas de alto risco, mesmo em ausência de limitação significativa do fluxo coronariano, associam-se a um incremento de eventos clínicos adversos a longo prazo após um infarto do miocárdio. A identificação dessas placas mediante OCT permite detectar uma população de maior risco, potencialmente candidata a estratégias terapêuticas mais intensivas. 


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Dr. Andrés Rodríguez
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