Stents eluidores de fármacos em doença arterial periférica: quando utilizá-los?

Os stents periféricos eluidores de fármacos transformaram o tratamento da doença arterial periférica ao reduzir as taxas de reestenose e a necessidade de novas intervenções. No entanto, o surgimento de um possível sinal de incremento de mortalidade a longo prazo associada aos dispositivos com paclitaxel geraram controvérsias. Neste editorial, os autores revisam a evidência disponível e propõem recomendações práticas para o uso atual dessas tecnologias em pacientes com doença femoropoplítea.

O objetivo principal do trabalho foi analisar o balanço entre a eficácia e a segurança dos stents eluidores de paclitaxel, ao passo que o objetivo secundário consistiu em identificar os cenários clínicos nos quais sua utilização poderia ser mais apropriada. A evidência resumida inclui múltiplos estudos randomizados e metanálises, entre eles uma metanálise contemporânea de 34 ensaios randomizados que incorporou mais de 7.400 pacientes tratados por doença femoropoplítea. 

Os dispositivos com paclitaxel demonstraram uma redução aproximada de 40% a 60% nas taxas de reestenose e de revascularização da lesão alvo em comparação com a angioplastia convencional, com benefícios particularmente evidentes em lesões femoropoplíteas longas, reestenoses intra-stent e anatomias complexas. Do mesmo modo, os stents eluidores de paclitaxel mostraram uma perviedade sustentada no seguimento de 5 anos.  

Contudo, a metanálise mais recente identificou um incremento pequeno, embora estatisticamente significativo, da mortalidade por qualquer causa associada a esses dispositivos. O risco foi mais evidente entre os 18 e os 24 meses posteriores ao procedimento e tendeu a se atenuar ao se aproximar aos 5 anos. A magnitude absoluta do efeito foi reduzida, estimando-se uma perda aproximada de um mês de sobrevivência em 5 anos. 

Leia também: OCT e placas de alto risco: um preditor fundamental de eventos recorrentes após um infarto do miocárdio.

As análises mais recentes sugerem que o possível aumento de mortalidade não seria uniforme para todos os dispositivos com paclitaxel, mas que poderia estar relacionado com determinados dispositivos ou com doses específicas da droga, embora dito achado continue sendo motivo de debate. 

Conclusão: os stents com paclitaxel trazem benefícios em lesões femoropoplíteas complexas

Em síntese, a evidência atual respalda o uso seletivo – embora não rotineiro – das tecnologias eluidoras de paclitaxel, particularmente em lesões femoropoplíteas complexas e em reestenoses intra-stent, onde seus benefícios em termos de perviedade e redução de reintervenções parecem superar as incertezas ainda existentes relacionadas com sua segurança a longo prazo. 

Título Original: What Are the Indications for Drug Eluting Technology in Peripheral Artery Disease Management?


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