Correlação limitada entre IVUS e FFR para a avaliação de lesões intermediárias

Título original: FIRST: Fractional Flow Reserve and Intravascular Ultrasound Relationship Study Referência: Ron Waksman et al. J Am Coll Cardiol 2013. Article in Press

Para os pacientes com lesões intermediárias definidas angiograficamente como estenose entre 40% e 80%, o critério para decidir revascularizar está em debate. 

A reserva fracionada de fluxo (FFR) é considerada o padrão-ouro para avaliar as lesões intermediárias considerando significativo um valor ≤ 0.8. A ultrassonografia intravascular coronariana (IVUS) utilizou tradicionalmente o ponto de corte de 4 mm2 de área luminar mínima (ALM) para considerar uma lesão como severa; no entanto, não é claro que este ponto de corte anatômico por IVUS seja equivalente ao parâmetro funcional do FFR.

Este registro prospectivo e multicêntrico concebido para determinar a correlação entre FFR, IVUS e histologia virtual em lesões intermediárias incluiu 350 pacientes (367 lesões intermediárias). A realização ou não da angioplastia nas referidas lesões ficou a critério do operador.

A análise das curvas ROC identificou o corte global de 3.07 mm2 de ALM por IVUS como o melhor para discriminar as lesões com menos de 0.8 de FFR (64% sensibilidade, 64% especificidade). Este corte global de ALM muda conforme o diâmetro de referência do vaso. Para vasos com < 3.0 mm de diâmetro, o ALM é <2.4 mm2, vasos entre 3.0 e 3.5 mm o ALM é <2.7 mm2 e para vasos >3.5 mm o ALM é <3.6 mm2. Com estes cortes ideais de ALM por IVUS, tomando como padrão-ouro para o FFR, os falsos positivos alcançam 25.7%.

Um volume de placa de 68.7 ± 11.2% foi a única variável da histologia virtual que foi correlacionada com um FFR <0.8.

Conclusão:

A medição anatômica por ultrassonografia intravascular tem uma correlação limitada com o FFR e é dependente do diâmetro de referência do vaso analisado.

Comentário editorial: 

A decisão terapêutica em uma lesão intermediária deveria ser tomada em primeiro lugar de acordo com julgamento clínico visto que ambos os métodos têm limitações próprias. O IVUS talvez seja uma ferramenta melhor para guiar a estratégia e controlar o resultado final de uma angioplastia do que para a decisão de realizá-la ou não.

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