Endocardite protética pós TAVI, pouco frequente e difícil de diagnosticar

Título Original: Prosthetic valve endocarditis after transcatheter aortic valve implantation: the incidence in a single-centre cohort and reflections on clinical, echocardiographic and prognostic features. Referência: Miriam Puls et al. EuroIntervention 2013;8:1407-1418.

Endocardite protética é uma complicação grave da substituição valvular cirúrgica e ocorre com uma incidência de 0.3 a 1.2% paciente/ano. Subdivide-se basicamente em endocardite protética precoce (dentro do ano da cirurgia) e tardia (além de um ano), a subdivisão acontece devido a diferenças significativas nos microorganismos que a produzem. A patologia apresenta uma alta mortalidade intrahospitalar que atinge 38% para a endocardite precoce e 25% para a tardia. De acordo com a escasa informação que existe na literatura, a endocardite pós substituição valvular aórtica percutânea (TAVI) parece muito infrequente. O presente estudo descreve a experiência de um centro e discute as características especiais desta patologia pós TAVI.

Entre 2008 e 2010 realizaram-se 180 procedimentos de substituição valvular aórtica percutânea, que representa a experiência inicial do centro. Durante um seguimento médio de 319 dias foram observados 5 casos de endocardite pós TAVI. Logo de realizar a análise das curvas de Kaplan-Meier estes 5 pacientes representaram uma incidência de endocardite de 3.4% para esta cohorte ou uma incidência de 2.9% por paciente por ano. A maioria resultaram endocardites precoces (4 de 5) com germes típicos de endocardite (staphylococcus aureus, enterococcus faecalis e Streptococcus gordonii) exceto em um paciente de quem foi resgatada Escherichia coli. Não foram observadas diferenças significativas no tempo de procedimento, volume de contraste, tipo de válvula ou acesso utilizado entre os pacientes que apresentaram endocardite e os que não.

Conclusão: 

A endocardite protética pós TAVI é particularmente difícil de diagnosticar, sendo este tipo de pacientes especialmente vulneráveis. Há muito pouca experiência na interpretação das imagens do ecocardiograma transesofágico que por outro lado têm características diferentes às das válvulas protéticas convencionais.

Comentário editorial: 

O retraso no diagnóstico pode ser uma das causas principais de morbilidade nestes pacientes. Tal retraso pode ser devido à frequente apresentação atípica neste grupo etário e às dificuldades do ecocardiograma transesofágico. Tais dificuldades acontecem pois 3 dos 4 critérios de endocardite para o eco são difíceis ou impossíveis de aplicar no contexto de TAVI (deiscência de sutura, insuficiência valvular, abscesso). Somente as vegetações grandes não deixam duvidas mas estas aparecem tardiamente no curso da doença (as pequenas podem não ser visíveis pelo artefato gerado pela prótese). Provávelmente um paciente com cultivos positivos e sintomas compatíveis na ausência de outro foco, embora apresente imagens eco cardiográficas inconclusivas, deveria receber tratamento antibiótico suspeitando esta complicação. 

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