A angioplastia de múltiplos vasos no infarto agudo de miocárdio melhora o prognóstico

Título original: Acute multivessel revascularization improves 1 year outcomes in ST-elevation myocardial infarction. A nationwide study from AMIS plus registry. Referência: Raban Jeger, et al. International journal of Cardiology 2014;172:76-81

 

Existe a presença de lesões de múltiplos vasos em ao redor de 50% dos pacientes que são referidos à angioplastia primária. A estratégia aceita é tratar a artéria responsável, sem que tenha sido totalmente estudado quando e como tratar o resto das artérias com lesões severas.

Foram analisados 1909 pacientes do registro nacional de infartos de Suíça que ingressaram cursando um infarto com supradesnivelamento do segmento ST e apresentavam doença de múltiplos vasos, dos quais 422 (23%) receberam angioplastia de múltiplos vasos e 1467 (77%) angioplastia só no vaso responsável.

O desfecho primário do estudo foi a morte por qualquer causa e o secundário uma combinação de morte, ré infarto, ré hospitalização de causa cardíaca, qualquer ré intervenção cardíaca e stroke. As características de ambas populações foram similares com a exceção de maior doença cerebral vascular no grupo no qual só foi tratado o vaso responsável e uma classe Killip maior no grupo no qual foram tratados múltiplos vasos. Em ambos o tratamento médico na alta foi similar. 

Com um seguimento médio em 378 dias, a mortalidade por qualquer causa (desfecho primário) resultou idêntica entre ambos grupos (2.7%; p>0.99) ao contrário do desfecho combinado secundário que foi significativamente menor em aqueles com angioplastia a múltiplos vasos (15.6% vs. 20%; p=0.038). Esta diferença esteve baseada nas ré hospitalizações e as ré intervenções  e não em mortes ou ré infartos. Os que receberam angioplastia a múltiplos vasos com stents farmacológicos apresentaram menor mortalidade (2.1% vs. 7.4%; p=0.026) e menos eventos combinados (14.1% vs. 25.9%, p=0.042) comparado com os que receberam stents convencionais e este benefício manteve-se além dos dois anos.

Conclusão:

Em uma população não selecionada do mundo real, uma estratégia de revascularização completa imediata tal vez seja benéfica durante a angioplastia primária considerando os eventos combinados e especialmente utilizando stents farmacológicos. Isto deveria ser testado com estudos randomizados. 

Comentário

A estratégia de realizar angioplastia a múltiplos vasos durante a angioplastia primária já foi demonstrada em diversos estudos como factível, segura e que diminui a taxa de eventos fundamentalmente devido à menor taxa de ré intervenções e ré hospitalizações. A utilização de DES também tem demonstrado ser segura e benéfica. Seria importante realizar estudos maiores e controlados para identificar os grupos que seriam mais beneficiados com esta estratégia.

Gentileza do Dr. Carlos Fava.
Cardiologista Intervencionista
Fundação Favaloro- Argentina

Dr. Carlos Fava para SOLACI.ORG

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