A angioplastia em ré estenose de stents eluidores de sirolimus é segura e eficaz para além da mudança de droga.

Título original: Sirolimius-eluting versus paclitaxel-eluting stents in diabetic and non-diabetic patients within sirolimus-eluting stents restenosis: Results from the ISAR-DESIRE 2 trial. Referência: Sebastian Kufner, et al. Cardiovascular Revascularization Medicine 2014, 15:69-75.

 

A ré estenose de um stent farmacológico sempre tem gerado um desafio e uma incógnita na hora de definir a estratégia de revascularização mediante nova angioplastia; um conceito bastante utilizado foi o de mudar de droga. Se bem que isto não tem sido testado em estudos randomizado importantes, muitas vezes é uma prática habitual.

Neste estudo randomizado, foram incluídos pacientes sintomáticos por angina ou isquemia miocárdica e com ré estenoses ≥50% de stents eluidores de sirolimus (Cypher). Os pacientes foram randomizados a receber angioplastia com um novo stent eluidor de sirolimus (Cypher grupo SES) ou mudar a um stent eluidor de Paclitaxel (Taxus grupo PES).

O desfecho final primário do estudo foi a perda tardia de lúmen intrastent e o secundário, a ré estenose binaria, ambas a 12 meses. Dos 450 pacientes incluídos, 162 (36%) eram diabéticos dos quais 86 receberam  SES e 76 PES. Dentro dos 288 não diabéticos, 139 receberam SES e 149 PES. 

Não houve diferenças nas características clínicas, angiográficas ou morfológicas da ré estenose dentro dos diferentes grupos, sendo a ré estenose focal o tipo mais frequente. Aos 12 meses não foram observadas diferenças no desfecho final primário (perda tardia de lúmen intrastent) tanto entre os diabéticos (SES 0.38±0.59 mm vs PES 0.37±0.59mm; p=0.97) como nos não diabéticos (SES 0.41±0.67mm vs PES 0.38±0.60mm; p=0.89). 

O desfecho final secundário (ré estenose binaria) também não mostrou diferenças entre os grupos além do fato de ser ou não diabéticos (SES 19% vs PES 26%; p=0.32 no grupo diabético e SES 19.9% vs PES 17.8%; p=0.36 em não diabéticos). O padrão morfológico da ré estenose mais frequente foi novamente o focal.

Não houve diferença na taxa de revascularização da lesão entre os grupos (SES 16.3% vs PES15.8% nos diabéticos e SES 14.1% vs PES 12.1% nos não diabéticos). Também mostraram resultados similares os desfechos finais de segurança como morte, infarto e trombose do stent considerados por separado ou o combinado dos mesmos.

Conclusão:

No caso de ré estenose de stents eluidores de sirolimus, o tratamento com implante de um novo stent eluidor de sirolimus ou a rotação a um eluidor de paclitaxel foi associado com uma eficácia comparável tanto em diabéticos como em não diabéticos.

Comentário editorial

Este estudo controlado e randomizado nos põe de manifesto que ante uma ré estenose de SES de primeira geração é possível realizar uma angioplastia com outro stent farmacológico da mesma geração com igual ou distinta droga obtendo bons resultados tanto em diabéticos como em não diabéticos conservando a segurança e efetividade do procedimento. Se bem que trata-se de DES de primeira geração seria bom testá-los com os da segunda.

Gentileza do Dr Carlos Fava
Cardiologista Intervencionista
Fundação Favaloro – Buenos Aires

Dr. Carlos Fava para SOLACI.ORG

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