DES sem polímero em pacientes de alto risco de sangramento com apenas um mês de dupla antiagregação

Título original: Polymer-free Drug-Coated Coronary Stents in Patients at High Bleeding Risk. Referência: Philip Urban et al. N Engl J Med. 2015 Oct 14. [Epub ahead of print].

Os pacientes com alto risco de sangramento que necessitam angioplastia coronária usualmente recebem stents convencionais (BMS) para permitir um tempo de dupla antiagregação o mais curto possível (em geral um mês). Este trabalho avaliou o stent farmacológico eluidor de biolimus A9 sem polímero (BioFreedom stent, Biosensors, Europe). O biolimus A9 (também conhecido como umirolimus) é um análogo altamente lipofílico do sirolimus que é liberado no transcurso de um mês.

O estudo incluiu pacientes com alto risco de sangramento e os randomizou de maneira duplo cega a receber o stent farmacológico sem polímero vs. um stent convencional com uma plataforma muito similar. Todos os pacientes receberam apenas um mês de dupla antiagregação plaquetária.
O desfecho primário de segurança (testado para não inferioridade e para superioridade) foi uma combinação de morte cardíaca, infarto agudo do miocárdio e trombose de stent. O desfecho primário de eficácia foi a revascularização da lesão guiada pela clínica.

Foram incluídos em total 2.466 pacientes com mais de um ano de seguimento. Nesse período, 112 pacientes (9,4%) do grupo DES sem polímero vs. 154 (12,9%) do grupo BMS apresentaram o desfecho primário de segurança (HR 0,71; IC 95% 0,56 a 0,91; p < 0,001 para não inferioridade e p = 0,005 para superioridade.

Durante o mesmo período de tempo 59 pacientes (5,1%) do grupo DES sem polímero vs. 113 (9,8%) do grupo BMS necessitaram revascularização da lesão justificada pela clínica (HR 0,5, IC 95% 0,37 a 0,69; p < 0,001).

Conclusão
Em pacientes com alto risco de sangramento o stent eluidor de biolimus A9 sem polímero teve um desempenho superior ao stent convencional tanto em termos de segurança quanto de eficácia e com prescrição de apenas um mês de dupla agregação.

Comentário editorial
Este trabalho foi desenhado com a intenção de arrolar pacientes com alto risco de sangramento ou que por qualquer razão fossem considerados maus candidatos a receber dupla antiagregação por tempo prolongado. Isto se refletiu em uma taxa de sangramento de 7,2% (BARC 3 a 5) em ambos os grupos, apesar de terem recebido apenas um mês de dupla antiagregação. Para ter como referência, a taxa de sangramento anual em uma população padrão que recebe angioplastia coronária se encontra entre 0,6 e 2,4% anual.
Este novo dispositivo livre de polímero se apresenta como uma muito boa opção neste grupo de pacientes que usualmente teria recebido angioplastia com stents convencionais.

Mais artigos deste autor

É necessário usar o IVUS de forma rotineira na angioplastia do tronco da coronária esquerda?

A angioplastia do tronco da coronária esquerda não protegido é um procedimento de grande complexidade devido ao amplo território miocárdico em risco e às...

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...

Heparina pré-hospitalar no SCACEST: uma estratégia segura que proporciona maior reperfusão precoce

A reperfusão precoce continua sendo o principal determinante prognóstico nos pacientes com infarto agudo do miocárdio com elevação do ST (SCACEST). Embora a angioplastia...

Rupturas de placa en artérias não culpadas: seguimento com imagens intravasculares

A ruptura de placa continua sendo um dos mecanismos fisiopatológicos mais importantes nas síndromes coronarianas agudas. No entanto, nem todas as rupturas se manifestam...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Supera vs. Eluvia em lesões femorpoplíteas calcificadas com calcificação severa

A calcificação seveera continua sendo um dos principais preditores de reestenose e de necessidade de novas revascularizações após o tratamento endovascular da doença femoropoplítea....

É necessário usar o IVUS de forma rotineira na angioplastia do tronco da coronária esquerda?

A angioplastia do tronco da coronária esquerda não protegido é um procedimento de grande complexidade devido ao amplo território miocárdico em risco e às...

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...