Disfunção Diastólica: devemos começar a avaliá-la?

Gentileza do Dr. Carlos Fava

Endocarditis_protesica_cardiologiaA associação entre disfunção diastólica (DD) e insuficiência aórtica (IAO) pós-TAVI ainda não foi avaliada, mas está demonstrado que a presença de regurgitação aórtica se associa a uma pior evolução.

 

Foram analisados 144 pacientes dentre 195 que foram submetidos a TAVI com valvas balão expansíveis SAPIENS ou SAPIENS XT e que apresentavam DD. Além disso, foram excluídos os que apresentavam fibrilação atrial, implante valvar mitral e estenose mitral moderada ou severa para minimizar as condições que pudessem alterar o fluxo.

 

A presença de IAO foi avaliada mediante ecocardiograma 30 dias após o implante valvar percutâneo.

 

Os pacientes foram divididos em dois grupos: DD severa e IAO ≥ leve (19 pacientes) e DD pós-TAVI (125 pacientes).

 

Os grupos foram similares, a idade foi de 86 anos e o acesso femoral foi utilizado em 57% dos casos. Os que apresentavam DD severa e IAO ≥ leve apresentaram por sua vez maior hipertensão pulmonar, menor fração de ejeção (FE) e uma filtração glomerular mais baixa.

 

O seguimento foi de 15 meses e a mortalidade por qualquer causa foi maior nos que apresentaram IAO ≥ leve independentemente da DD (HR = 2,27; CI: 1,08-4,75, P = 0,03). A mortalidade de acordo com a DD foi numericamente maior, mas sem diferença entre os que a apresentavam severa em comparação com os que a apresentavam leve a moderada (29% vs. 19%). A presença de DD severa e IAO ≥ leve se associou a maior mortalidade comparada com os outros grupos (HR = 3,89, CI: 1,76-8,6; p = 0,001). Isso se manteve após o ajuste de variáveis com a IAO basal, o grau de DD, a insuficiência mitral, a FE, a pressão da artéria pulmonar, eGFR, antecedente de AVC, idade e sexo.

 

Conclusão

A IAO maior a leve pós-TAVI talvez tenha um impacto negativo no seguimento dos pacientes com disfunção diastólica severa.

 

Comentário

Esta análise nos demonstra que a associação de DD prévia e IAO pós-TAVI exerce um efeito deletério no seguimento.

 

Devemos ser mais exigentes com o ecocardiograma prévio e não só estar cientes dos dados relativos à FE e à valva aórtica, mas também saber qual é o estado da diástole.

 

Neste grupo, atualmente, podemos alcançar benefícios sendo mais agressivos, diminuindo a presença de IAO residual; com o desenvolvimento de novas valvas é provável que a IAO se reduza significativamente ou desapareça.

 

Gentileza do Dr. Carlos Fava

 

Título original: Prognostic Importance of Diastolic Dysfunction in Relation to Post Procedural Aortic Insufficiency in Patients Undergoing Transcatheter Aortic Valve Replacement

Referência: Polydoros N. Kampaktsis, et al. Catatherization Cardiovascular Intervention 2017;89:445-451


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