Trombólise local em tromboembolismo pulmonar: uma técnica segura

Gentileza do Dr. Brian Nazareth Donato.
O tratamento convencional para os pacientes com tromboembolismo pulmonar (TEP) se baseou tradicionalmente na anticoagulação e no uso de trombolíticos sistêmicos ou ainda na embolectomia cirúrgica, esta última reservada para os pacientes de alto risco. Embora esteja demonstrado que os trombolíticos sistêmicos reduzem a mortalidade naqueles pacientes com TEP de risco alto e intermediário, seu uso está limitado pelo risco significativo de complicações hemorrágicas. A trombólise local mediante cateter padrão ou cateteres de ultrassom (US) oferece o benefício da trombólise sistêmica com uma dose menor que a mesma, reduzindo o risco de sangramento maior.

Foram apresentados os resultados de um registro multicêntrico de pacientes com TEP agudo de risco alto e intermediário tratados com trombólise local e os resultados de segurança e eficácia através de uma metanálise comparativa de todos os estudos publicados usando trombólise local em tratamentos do TEP massivo e submassivo.

 

Resultados: no registro multicêntrico de 137 pacientes 16% receberam trombólise local mediante cateter padrão e foram utilizados cateteres de US nos 84% restantes. A maior parte dos mesmos apresentavam TEP bilateral (82%) e em somente 18% foi feito unicamente tratamento unilateral.

 

Não foram relatadas mortes no grupo que apresentava inicialmente TEP de risco intermediário, as complicações se associaram à idade avançada (> 75 anos), apresentação de TEP massivo e colocação de filtro de veia cava. Entretanto, não houve diferenças estatisticamente significativas associadas a complicações e à presença de comorbidades prévias (hipertensão, diabete, tromboembolismo venoso), hemoglobina, troponina e creatinina basal, dose de heparina, dose trombolítica total, sexo e raça.

 

A pressão sistólica na artéria pulmonar (PSAP) foi medida de maneira invasiva no início em todos os pacientes e às 18-24 horas em 87 dos mesmos. A queda média da PSAP foi de 19 mmHg (IC 95% 16ç23 mmHg). A análise de subgrupo que compara os pacientes tratados com cateter de US e cateter padrão não revelou diferenças estatisticamente significativas.

 

Na metanálise dos 416 artigos examinados foram analisados 15 estudos e adicionou-se 0 presente registro, revelando um total de 860 pacientes com TEP tratados com trombolíticos locais. 21,6% dos pacientes apresentavam TEP massivo e os 78,4% restantes apresentavam TEP submassivo.

 

A taxa de sangramento maior ou complicação vascular foi de 4,65% e a taxa de HIC foi de 0,35%. A maior parte das complicações hemorrágicas e vasculares se deveram à formação de hematomas no ponto de punção e só requereram transfusões. A taxa de mortalidade observada foi de 3,4% no grupo de TEP massivo e de 0,74% no grupo de TEP submassivo e mostraram uma diminuição significativa da PSAP de 15 mmHg.

 

Conclusões:

A trombólise local mediante a infusão de baixas doses de trombolíticos se associa a baixo risco de complicações hemorrágicas, sendo ainda necessários estudos randomizados maiores para avaliar a segurança e eficácia deste método de tratamento em TEP massivos e submassivos.

 

Comentário editorial:

Os resultados de eficácias valorados e a baixa taxa de mortalidade presente não nos proporcionam informação sobre sua relação com a mortalidade, morbidade e qualidade de vida a longo prazo dos pacientes que recebem este tratamento por falta de trabalhos prospectivos que os camparem frente à trombólise sistêmica.

 

Ainda hoje resta adquirir experiência nestas terapias, sendo na atualidade heterogênea sua aplicação, tanto na duração quanto na dose de trombolítico aplicado e no esquema posterior de anticoagulação, sendo necessária a inclusão de critérios unificados.

 

Por último, a presente revisão nos demonstra que a trombólise local mediante cateter, seja ela padrão ou de US, apresenta um perfil seguro no que se refere à incidência de sangramento e complicações vasculares em pacientes com TEP de risco alto e intermediário com uma baixa taxa de mortalidade associada.

 

Gentileza do Dr. Brian Nazareth Donato. Hospital Britânico de Buenos Aires, Argentina.

 

Título original: Safety of Catheter-Directed Thrombolysis for Massive and Submassive Pulmonary Embolism: Results of a Multicenter Registry and Meta-Analysis.

Referência:  Tyler L. Bloomer,1,2 MD, Georges E. El-Hayek,3 MD, Michael C. McDaniel,3 MD, Breck C. Sandvall,2 MD, Henry A. Liberman,3 MD, Chandan M. Devireddy,3 MD, Gautam Kumar,3 MD, Pete P. Fong,1,2 MD, and Wissam A. Jaber,3* MD. Catheterization and Cardiovascular Interventions 89:754–760 (2017) DOI: 10.1002/ccd.26900.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Stents eluidores de fármacos em doença arterial periférica: quando utilizá-los?

Os stents periféricos eluidores de fármacos transformaram o tratamento da doença arterial periférica ao reduzir as taxas de reestenose e a necessidade de novas...

SCAI 2026 | Arterialização de veias profundas em pacientes com isquemia crítica de membros inferiores sem opção convencional

A isquemia crítica de membros inferiores (ICMI) representa um dos estágios mais avançados da doença arterial periférica (DAP). Em uma proporção significativa de pacientes,...

C-TRACT: terapia endovascular na síndrome pós-trombótica por obstrução ilíaca

A síndrome pós-trombótica (SPT) é uma das sequelas mais limitantes após uma trombose venosa profunda (TVP) proximal. Manifesta-se clinicamente como dor crônica, edema, alterações...

Embolização com coils de artérias segmentares como estratégia de proteção medular prévia à recuperação endovascular complexa de aorta toracoabdominal

A isquemia medular continua sendo uma das complicações mais devastadoras na recuperação de aneurismas toracoabdominais, com incidência de até 20-30% em reparações extensas. Nesse...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Obstrução coronariana no TAVI: um novo índice volumétrico a ser considerado

A obstrução coronariana durante o TAVI é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente devastadora, especialmente em procedimentos valve-in-valve, em anatomias com seios de Valsalva...

Espaço do Fellow – Caso 2: Infarto Agudo do Miocárdio por Oclusão Simultânea de Duas Artérias Coronárias

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Chega uma nova edição do Cantinho do Fellow, um espaço de intercâmbio acadêmico criado para que...

EARLY TAVR: impacto da idade nos resultados do TAVI precoce em pacientes assintomáticos

A estenose aórtica severa assintomática representa um desafio clínico cada vez mais frequente. Embora as diretrizes recomendem intervir quando aparecem sintomas ou deterioração da...