Embora ainda não seja regra, a alta no mesmo dia após uma angioplastia coronariana é cada vez mais popular

Embora ainda não seja regra, a alta no mesmo dia após uma angioplastia coronariana é cada vez mais popular O tempo de internação após uma angioplastia coronariana eletiva varia substancialmente entre os operadores e os hospitais, conforme revela uma enquete recente encaminhada a cardiologistas intervencionistas dos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido e publicada no Catheterization and Cardiovascular Interventions.

 

Embora a alta no mesmo dia seja um procedimento de rotina no Reino Unido, a maioria dos entrevistados respondeu que não conhecia nenhum guia que proporcionasse critérios sobre os pacientes que podem receber alta com segurança e aqueles que devem permanecer pelo menos uma noite no Hospital.

 

A referência mais confiável que tínhamos em relação a esse tema era o consenso de especialistas da Sociedade de Angiografia Cardiovascular e Intervenções (SCAI, por sua sigla em inglês), que foi publicado em 2009. No entanto, os avanços na tecnologia e na própria prática clínica tornaram dito documento obsoleto.  

 

Agora aparece o dilema sobre quanto tempo devem ser observados os pacientes após uma angioplastia coronariana programada. Para isso, há alguns colegas que, baseando-se em um misto de evidência observacional e randomizada, estão convencidos de que a alta no mesmo dia é segura, apropriada e, além disso, reduz custos. Por outro lado, há profissionais e instituições médicas que, em função de seus próprios critérios, preferem deixar os pacientes internados.

 

A impressão que fica é que em muitos centros a alta no mesmo dia é um procedimento de rotina, enquanto que em outros, isso jamais vai ocorrer.

 

A grande diferença entre os médicos dos Estados Unidos e aqueles do Reino Unido e do Canadá não surpreende em absoluto. Tradicionalmente, os médicos dos Estados Unidos preferem o acesso femoral, o que, como sabemos, é um grande obstáculo para a alta no mesmo dia.

 

O consenso de especialistas da SCAI merece uma atualização com relação ao tempo de internação após uma angioplastia coronariana programada se considerarmos a abundante evidência controlada e randomizada que tem sido publicada desde 2009. 

 

A solução transitória até que surja um documento que respalde dita problemática seria que cada instituição tenha seu próprio protocolo. Isso beneficiaria mais aqueles operadores e instituições com maior volume.

 

Outros pontos a considerar e que são mais difíceis de objetivar são aqueles relacionados ao paciente. Sua capacidade de compreender as instruções, o suporte social, a distância entre sua residência e o hospital, entre outros, devem ser levados em conta para decidir uma alta precoce no mesmo dia.  

 

Conclusão

Com uma heterogeneidade considerável entre os diferentes médicos, a maioria ainda prefere que os pacientes permaneçam internados uma noite após uma angioplastia coronariana programada. Com a evidência que possuímos na atualidade, os guias da prática clínica deveriam ser atualizados.

 

Comentário editorial

É necessário realizar um grande estudo randomizado que avalie as duas estratégias. Até então, a alta no mesmo dia após uma angioplastia não complexa é razoável em pacientes selecionados.

 

Em teoria o estudo randomizado necessário com suficiente poder estatístico para chegar a uma conclusão definitiva deveria incluir 17.000 pacientes (dada a pouca frequência dos eventos). Realmente não parece que vamos contar com essa informação no futuro próximo, se é que alguma vez a mesma vai estar disponível.

 

Título original: Variation in practice and concordance with guideline criteria for length of stay after elective percutaneous coronary intervention.

Referência: Din JN et al. Cath Cardiovasc Interv. 2017;Epub ahead of print.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

EMERALD II: anatomia e fisiologia coronariana não invasiva (CCTA) na predição de SCA

Apesar dos avanços contínuos na prevenção secundária e na otimização do tratamento médico (TMO), a síndrome coronariana aguda (SCA) ainda é uma das principais...

Manejo de perfurações em bifurcações: validação experimental de técnicas de bailout com stents recobertos

As perfurações coronarianas durante a angioplastia representam uma das complicações mais temidas do intervencionismo, especialmente quando comprometem segmentos bifurcados. Embora seja pouco frequente, trata-se...

Acesso radial esquerdo ou direito? Comparação da exposição à radiação em procedimentos coronarianos

A exposição à radiação durante os procedimentos percutâneos constitui um problema tanto para os pacientes como para os operadores. O acesso radial é atualmente...

Tratamento antiplaquetário dual em pacientes diabéticos com IAM: estratégia de desescalada

A diabetes mellitus (DM) é uma comorbidade frequente em pacientes hospitalizados por síndrome coronariana aguda (SCA), cuja prevalência aumentou na última década e se...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

TMVR transapical em pacientes de alto risco: resultados do seguimento de cinco anos do sistema Intrepid

A insuficiência mitral (IM) moderada a severa continua sendo uma patologia de alta prevalência e mal prognóstico, particularmente em pacientes idosos, com disfunção ventricular...

SOLACI deseja a todos Felizes Festas

De coração, Boas Festas! A Sociedade Latino-Americana de Cardiologia Intervencionista deseja a todos os seus membros associados e à comunidade médica do continente um Feliz Natal e...

Pesar pelo falecimento de Cristiam Arancibia

A Sociedade Latino-Americana de Cardiologia Intervencionista lamenta profundamente o falecimento do Lic. Cristiam Arancibia, primeiro Diretor do Capítulo de Técnicos e Enfermeiros, Membro Fundador...