O que usar para medir funcionalmente uma lesão coronariana no contexto de uma estenose aórtica severa?

Esta análise sistemática mediu a pressão intracoronariana nas diferentes fases do ciclo cardíaco e a velocidade de fluxo em pacientes com estenose aórtica severa e doença coronariana para os quais estava planejado um implante percutâneo da valva aórtica (TAVI). A ideia era conhecer o impacto da estenose aórtica sobre: 1) o fluxo em suas diferentes fases; 2) o fluxo coronariano em hiperemia; e 3) a medição de iFR e FFR (as duas ferramentas mais utilizadas na prática clínica para definir o grau de estenose).

¿Qué usar para medir funcionalmente una lesión coronaria en el contexto de estenosis aórtica severa?Uma grande porcentagem (até a metade) dos pacientes com estenose aórtica severa têm doença coronariana concomitante. Os efeitos da doença da valva sobre o fluxo e sobre a pressão coronariana e os índices de estenose estabelecidos na prática clínica não foram ainda estudados.

 

Foram incluídos 28 pacientes com 30 lesões nos quais se mediu o fluxo e a pressão coronariana em repouso e em hiperemia imediatamente antes e imediatamente depois do TAVI.


Leia também: Segurança de diferir lesões com iFR ou FFR em pacientes estáveis e agudos.


O fluxo durante o período livre de ondas em diástole não mudou significativamente pós-TAVI (29,78 ± 14,9 cm/s vs. 30,81 ± 19,6 cm/s; p = 0,64), diferentemente do fluxo em todo o ciclo durante a hiperemia, que se incrementou significativamente após o procedimento (33,44 ± 13,4 cm/s pré-TAVI vs. 40,33 ± 17,4 cm/s pós-TAVI; p = 0,006). Este último incremento foi secundário a um incremento no fluxo sistólico em hiperemia pós-TAVI.

 

O índice no período livre de ondas (iFR não se modificou com as mudanças na valva (0,88 ± 0,09 pré-TAVI vs. 0,88 ± 0,09 pós-TAVI; p = 0,73), diferentemente do que ocorreu com a fluxo fracionado de reserva (FRR) que diminuiu significativamente pós-TAVI (0,87 ± 0,08 pré-TAVI vs. 0,85 ± 0,09 pós-TAVI, p=0.001). Por este motivo, finalmente temos uma ferramenta confiável – o iFR – para valorar de maneira invasiva lesões intermediárias no contexto de estenose aórtica severa.

 

Conclusão

Tanto o fluxo sistólico como o total na hiperemia aumentam significativamente após o TAVI, motivo pelo qual os índices valorados em hiperemia que incluam a sístole (o FFR) subestimam a severidade das lesões coronarianas em pacientes com estenose aórtica severa.


Leia também: SOLACI-SOCIME 2018 | Usefulness of the functional evaluation with iFR and FFR in bifurcations to define PCI.


O fluxo durante o período livre de ondas da diástole não se modifica, o que sugere que realizar as medições em dito período específico (iFR) nos revelariam valores não suscetíveis de serem confundidos ou modificados pela estenose valvar aórtica. O iFR parece ser o padrão para o grupo de com as características aqui descritas.

 

Título original: Coronary Hemodynamics in Patients With Severe Aortic Stenosis and Coronary Artery Disease Undergoing Transcatheter Aortic Valve Replacement Implications for Clinical Indices of Coronary Stenosis Severity.

Referência: Yousif Ahmad et al. J Am Coll Cardiol Intv 2018, article in press.


Subscreva-se a nossa newsletter semanal

Receba resumos com os últimos artigos científicos

Sua opinião nos interessa. Pode deixar abaixo seu comentário, reflexão, pergunta ou o que desejar. Será mais que bem-vindo.

Mais artigos deste autor

Técnica UNICORN para prevenir a obstrução coronariana durante o TAVI: resultados iniciais de um estudo multicêntrico

A obstrução coronariana é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente catastrófica, do implante transcateter da valva aórtica (TAVI), especialmente em procedimentos valve-in-valve, TAV-in-TAV ou...

É necessário usar o IVUS de forma rotineira na angioplastia do tronco da coronária esquerda?

A angioplastia do tronco da coronária esquerda não protegido é um procedimento de grande complexidade devido ao amplo território miocárdico em risco e às...

Registros Dual-Prep: aterectomia e IVL em calcificação coronariana severa

A calcificação coronariana severa continua sendo um dos cenários mais complexos da angioplastia coronariana. Embora a aterectomia rotacional (AR) ou orbital e a litotripsia...

Resultados hemodinâmicos do reparo borda a borda em insuficiência mitral degenerativa e funcional

O reparo mitral transcateter borda a borda (M-TEER) se consolidou como uma opção terapêutica para a valvopatia mitral. Entre as técnicas disponíveis, o M-TEER...

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Artigos Relacionados

Congressos SOLACIspot_img

Artigos Recentes

Técnica UNICORN para prevenir a obstrução coronariana durante o TAVI: resultados iniciais de um estudo multicêntrico

A obstrução coronariana é uma complicação pouco frequente, mas potencialmente catastrófica, do implante transcateter da valva aórtica (TAVI), especialmente em procedimentos valve-in-valve, TAV-in-TAV ou...

Espaço do Fellow – Caso 2: Infarto Agudo do Miocárdio por Oclusão Simultânea de Duas Artérias Coronárias

Compartilhe sua experiência. Aprenda com especialistas. Cresça como intervencionista. Chega uma nova edição do Cantinho do Fellow, um espaço de intercâmbio acadêmico criado para que...

Supera vs. Eluvia em lesões femorpoplíteas calcificadas com calcificação severa

A calcificação seveera continua sendo um dos principais preditores de reestenose e de necessidade de novas revascularizações após o tratamento endovascular da doença femoropoplítea....